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Reverberre!

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Publicado por em 09/03/2012 em Uncategorized

 

Barril de Pólvora

O décimo episódio da terceira temporada de Breaking Bad, Fly, é uma das situações mais instrínsecas que já vi em um seriado para televisão. Em quase 45 minutos, o roteiro espreme cada um dos protagonistas ao extremo. Uma simples mosca no laboratório de “Heisenberg” transforma-se num diálogo visceral sobre para onde a série está indo: um barril de pólvora emocional em que TODOS os protagonistas estão a ponto de explodir. Uma simples baforada mal direcionada desencadeará o descontrole  total das situações. Aliás, se há um mérito maior em Breaking Bad é o de transformar seus protagonistas em antagonistas, inserindo-os no contexto de forma que eles não podem dizer não. São 3 temporadas de perfeita construção de personagens. Todos ali tem suas motivações, medos, razões. E a fúria de levar às últimas consequências.

White e Pinkman debatem como pai e filho. Aliás, a situação em que o Sr. White está agora me lembra muito Darth Vader. Ele está num ponto obscuro entre ir para a luz ou se entregar para a escuridão total. Porém, diferente do pai de Luke, “Heisenberg” conhece as realidades, nada está escondido, tudo está entregue ali, na bandeja de prata da realidade. E ele não tem controle nenhum, pois qualquer um ali pode acender o pavio. Um olhar mal interpretado, caliente, e tudo vai pelos ares. E dá pra sentir na respiração dele que ele está cansado de tentar controlar e que talvez liberar o caos seja a única maneira de trazer paz.

Caos para transformar? Química pura, bitch.

[UPDATED] Meu broda Luwig mandou um post ótimo sobre a série. E valeu pela lembrança!

 
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Publicado por em 11/06/2010 em Séries, Uncategorized

 

Tomar partido

Somos um país de bundões. Sim, somos.

Podemos usar a desculpa de que somos um povo de paz e alegre, mas a verdade é que somos um bando de bundões cuja última grande manifestação “pró-Brasil” foi um show de marionetes montado pela mídia dominante na época. Duvido aí que alguém tenha orgulho de dizer que foi parte do grupinho fechado dos cara-pintadas globais.

Sorry, é um fato. Somos bundões. Eu incluso no saco.

Nós não sabemos tomar partido. Vamos com a maré. E os que conseguem tomar o partido (sic) acabam chafurdando na iconoclastia assintomática da politicagem da escola de Dom Pedro e profetizada pelo professorado através da Caminho Suave. Lembro até hoje dos molequinhos britânicos que estavam sempre sorridentes durante os exemplos de matemática. Eu olhava pro lado e via o Paulo, aquele meu grande amigo negro do colégio e não entendia onde ele se encaixava ali no desenho. Aí eu passava a mão no meu cabelo e via que não era liso o suficiente, por fim olhava pra sala e não via nenhum loirinho a não ser o Demétrio, com seu cabelo encaracolado, cara de anjo, sempre estampando um belo sorriso infantil no rosto. Era uma época estranha, em que nenhum dos moleques olhava para a cara do outro e dizia neguinho e branquelo do jeito pejorativo, mas sim pela lei da criança. Era meio indiferente se o Marcão era ranhento ou se o Nino tinha mais dinheiro. Ao mesmo tempo isso importava e não era importante. O negócio todo da cor se resolvia ali, no campinho de futebol. Era a arena. Se você está no campo de terra, vai ter que jogar com os leões. Pisou, vai ter que dançar, seja qual for sua cor, credo, time e se tem a perna torta ou não. A lei da criança era tão mais simples que devia virar projeto no Congresso.

Com a Copa chegando, mais uma vez deixamos de lado qualquer possível melhoria no País, mudando novamente o foco da manifestação popular. Não se engane: amo a Copa do Mundo. Acho uma época única em que um monte de gente deixa de lado um monte de desigualdades estúpidas para torcer por um único objetivo, seja ele superficial ou não. Swoshs à parte, é uma época legal de se esquecer um pouco de tudo e tornar a alegria pelo embate uma coisa saudável. O que penso, ao final de cada Copa, olhando para o lado e vendo pessoas que não se conhecem se abraçando, dando carona, se respeitando e tratando o próximo de um jeito único, é que esse tipo de sentimento poderia também ser utilizado para tantas outras situações, principalmente no quesito político. Parece que queremos ser entendidos em política, mas não nos interessa a ponto de querer discutir isso de uma maneira aberta. Assinar a revista semanal e ler a matéria da capa parece ser o suficiente, e a revista engana você de duas maneiras: 1) Sempre com a matéria tendenciosa e nunca informativa (seja de esquerda ou de direita); 2) Utiliza insolitamente temas da maneira que acha mais interessante buscando apenas o auto-benefício, o que não apenas depõe contra a credibilidade da mesma, mas a coloca no chão ao tratar-se de manipulação de informação, quando a realidade é outra. São velhos oitentistas achando que estão no controle com um veículo de comunicação incontrolável.

Tomar um partido não é tarefa fácil, sei disso. Eu mesmo me incluí na ala dos bundões exatamente porque não tenho muita ideia do que fazer. O discurso feito “o voto é sua maior arma, blablabla” está chegando e parece tudo mais do mesmo. Há várias eleições me intero dos políticos, estudo em quem quero votar, pesquiso sobre os mesmos e, no final das contas, parece que o bordão malufista “rouba mas faz” sempre é hino da “maior manifestação popular do Brasil”. O que não se muda é a máquina corrupta secular, construída com o único intuito de gerar dinheiro para um pequeno (e seleto por nós mesmos) grupo de pessoas. E quem colocamos no poder parece que automaticamente se torna parte da seita, infectado pelas folgas absurdas, pela facilidade de controle, pelo pleito mal estruturado, e pelo dinheiro não declarado e fácil. Parece sintomático: ganhou a eleição, perdeu parte do caráter. Mefistismo puro.

E é uma troca muito injusta, quando não se põe apenas a própria alma na barganha, mas sim a de vários milhões de brasileiros.

São nestas horas que percebo que estou ficando senil e reclamão, pois este era pra ser um texto sobre um filme maravilhoso chamado Defendor.

Semana que vem, então. Se eu não estiver tão reclamão quanto hoje.

 
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Publicado por em 28/04/2010 em Textos, Uncategorized

 

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Medo e Náusea


Nestas duas últimas semanas, me deparei com duas versões diferentes de vampiros, uma no livro Noturno (The Strain é um nome muito foda, pena que não há uma palavra em português que dê a força necessária na tradução) e outra num filme que ainda não foi lançado por aqui chamado Daybreakers.

Não sei se foi uma cagada editorial entregar logo de cara a ameaça principal de Noturno, do DelToro e Chuck Hogan, afinal qual capitalista olhos de cifrão não vai querer uma fatia do público da Stephanie Meyer? O caso é que essa entrega meio que deixa o livro um pouco menor do que poderia ter sido caso a pessoa pegue o livro do nada e comece a ler. Na verdade, se não me engano, o próprio DelToro andou dando umas declarações dizendo que a versão dele para os sugadores de sangue era diferente e blablabla. É diferente? É. É original? Pra mim, não.

Noturno é um emaranhado de pequenas coisas que já existem no mercado, desde Extermínio até Blade 2, do próprio DelToro. A impressão que ficou comigo é que ele já tinha essa ideia do livro antes, mas acabou não tendo a oportunidade de lançar, aí outras oportunidades apareceram no decorrer da carreira e ele foi aplicando um pouco do que imaginava em outros projetos, e é um livro cheio de personagens-clichês, e não esperar isso do DelToro, não. Sei lá, não é um livro nem um pouco ruim, é muito legal, mas não chega a ser inovador. É a primeira parte de uma trilogia, então vamos ver o que acontece nos demais. Lerei certamente e, se você não conhece nada do livro, gosta do tema e não é um devorador de filmes de terror, pode comprar sem medo. É bem escrito e tem um ritmo ágil pra caramba. Talvez eu tenha esperado demais, sei lá. O que sei é que é um roteiro pronto, e que dará um puta filme. Se tem dúvidas, veja o trailer para o lançamento do livro, isso sim uma ótima ideia.

Daybreakers traz novidade atrás de novidade sobre o tema. Aliás, uma grata surpresa em termos de roteiro e direção dos irmãos Spierig (meu bom amigo zumbi diz que os caras já fizeram coisa boa antes, mas eu nunca havia ouvido falar deles…), que trazem ideias originais e dão um novo parâmetro sobre o tema unindo coisas que já foram faladas antes, só que de um jeito criativo e diferente. Nem é legal falar muito sobre o filme, mas o trailer mostra o tema básico, portanto se quiser saber do que se trata, clica aí. Independente disso, Daybreakers já é uma das grandes surpresas do ano pra mim, mantendo o que eu e alguns amigos chamamos de Regra-Hawke, ou seja, de que Ethan Hawke ainda não se meteu num filme que fosse ruim. Destaque para as cenas de ação e suspense muito bem coreografadas, além de um tom de azul forte para enaltecer as cenas em ambientes noturnos. Enfim, vale muito a pena.

O livro de DelToro e o filme dos irmãos Spierig cumprem seus objetivos: o de trazer a casta dos filhotes de Drácula ao lugar onde pertencem: o de seres que devem trazer medo e náusea, e não suspiros.

 
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Publicado por em 14/02/2010 em Livros, Uncategorized

 

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Top Ten 2009

Todo ano eu monto um top ten de filmes e posto em dezembro. Por conta dos trabalhos e da correria, esse ano foi diferente e atrasado. Mas taí, a quem interessar possa.

Foi um ano fraquíssimo para blockbusters, com o Cameron salvando tudo aos 45 do segundo tempo. Mas espero que 2010 a qualidade dos filmes seja um pouco  melhor. Apesar de, como eu prometi, vou utilizar mais os ouvidos do que os olhos neste ano.

2007, 2008 e, enfim, 2009.

Decepção do ano

Caramba, como eu disse, foi um ano fraco para blockbusters. Wolverine foi mais ou menos, GI Joe foi passável (dentro das características propostas) e, apesar de eu ter odiado Astro Boy com todas as minhas forças, o pior mesmo foi:

Transformers – A Vingança dos Derrotados.


Nem sei o que dizer desse filme. Na verdade, nem gosto de lembrar dele. O primeiro foi algo diferente e divertido que, sei lá, esperava algo pelo menos no mesmo nível. Não aconteceu. Michael Bay teve um surto de hiperatividade e usou todo o dinheiro para contar nada, aliás, usou o dinheiro para mostrar as bolas de um robô… avemaria.. me deu vergonha alheia…

Surpresa do Ano

Martyrs


Apesar de ter me surpreendido pra caramba com O Visitante (a atuação de Richard Jenkins é fenomenal) e Busca Implacável (sério, achei o policial com o Liam Neeson algo tão bem feito quanto os filmes da série Bourne), filmes que eu não esperava fossem tornar-se videoteca básica na minha vida,  minha maior surpresa foi um filme indicado pelo Doggma, do BZ. Martyrs nem foi lançado aqui no Brasil e provavelmente nem será.

E a contagem começa…

10) Sete Vidas

Tá, eu já sei que você não gostou, mas achei um filme incrivelmente bem feito, com uma atuação ótima do Will Smith e um roteiro muito legal, emocionante e triste. Independente das críticas, acho que, para algumas pessoas, é um filme que leva pelo menos à reflexão sobre como se portar em relação a doação de órgãos, que ainda é um grande tabu.

09) Star Trek

JJ Abrahms certamente vai nos frustar pra caramba com o final de Lost, mas que ele consegue pegar os projetos pessoais com vontade e gosto ele consegue, pelo menos os que leva até o fim. Deu uma roupagem nova pra um seriado antigo sem perder o charme e o conteúdo. O cara merece aplausos por ter agradado a horda de fanboys mais chata do planeta.

08) Avatar

Cameron conseguiu novamente. Sem que ninguém esperasse ele fez um filme tecnologicamente impecável e com uma história excelente e, como eu disse anteriormente, salvou o ano de 2009 do marasmo dos big budgets com ação, humor, emoção e muitos efeitos visuais.

07) Watchmen

Sei que muita gente acha que a versão de Zack Snyder para uma das maiores HQs da história é um blockbuster. Não acho. Apesar do orçamento astronômico, Watchmen nunca foi para o grande público. Isso não faz dele um filme menos corajoso e pensado quadro a quadro, com um puta respeito pelo diretor. O filme não foi sucesso de bilheteria e fico feliz com isso, afinal não vamos precisar ver continuações desnecessárias e sem sentido só pra ganhar dinheiro. Eu acho que Snyder fez o que qualquer diretor tem que fazer: acreditar no sonho e concretizar da melhor forma possível. E o que ele fez foi algo surpreendente e respeitável.

06) Quem Quer ser um Milionário?

Fernando Meirelles foi lá e mostrou como se fazia. Danny Boyle gostou do que viu e aplicou tudo o que pode aprender com Cidade de Deus num filme maravilhoso e perfeito do início ao fim. E o mundo se rendeu e aplaudiu de pé.

05) (500) dias com ela

Desde Alta Fidelidade eu não me identificava tanto com um romance. E (500) dias com ela fez comigo uma coisa que poucos filmes fizeram: me relembrou a adolescência como um grande amigo dividindo uma cerveja de fim de tarde e conversando sobre as coisas boas e ruins do ato de apaixonar-se. E a sensação foi mais do que ótima.

04) UP – Altas Aventuras


Será que algum ano um Top Ten meu existirá sem um filme da Pixar? Acho pouco provável, principalmente quando eles inventam de contar histórias únicas e nunca antes imaginadas. Como eles conseguem inserir tanta emoção numa animação voltada, teoricamente, para crianças?

03) O Lutador

A rendenção de Mickey Rourke veio na forma de um lutador de wrestling com a vida esmagada em pedaços, com uma colagem sensacional do diretor do maravilho Réquiem por um Sonho. Um dos grandes filmes deste século, sem a menor sombra de dúvidas.


02) Control

Não conheço muito a história do Joy Division e sei que muita gente torceu o nariz para esse filme, entretanto contar a vida de Ian Curtis não deve ser uma coisa muito simples. O que vi na tela foi um retrato cru e realista de um dos maiores ícones do rock´n roll dos últimos tempos, o que já é suficiente para que o filme torne-se videoteca básica para qualquer um que tenha vivido a adolescência nos anos 80. Direção de arte primorosa, assim como a fotografia e atuações impecáveis.

01) Distrito 9

O filme chegou caladinho, com um trailer espetacular e deixou todo mundo curioso. Afinal, o que aquele grupo de alienígenas estava fazendo de passagem na Terra. O resultado disso é um dos filmes de ficção mais bem montados da história do cinema, com um roteiro forte e direcionado, feito com trocado se comparado a produções do gênero, prova viva de que existe gente antenada e cerebral em Hollywood.

 
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Publicado por em 19/01/2010 em Top Top, Uncategorized

 

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Re-ciclagem

(publicado originalmente em jan/07)


O primeiro filme do ano foi uma bela decepção. Decepção porque eu esperava um pouco desse filme. Nem muito, nem pouco, mas me parecia criativo o suficiente para se destacar no oceano de produções atuais do gênero. E foi bela porque visualmente o filme é bem interessante e, em alguns aspectos, até exagaredamente egocêntrico.

O filão de suspense tá meio que indo pro buraco, acho que devido aos roteiros atuais e pela falta de um target pré-definido. A maior parte são filmes feitos com um orçamento muito baixo para os padrões hollywoodianos e que se pagam facilmente. Alguns aparecem direto em vídeo, o que necessariamente não diz muita coisa sobre a qualidade da produção. O que me parece é que depois de “O Sexto Sentido”, os filmes parecem ter a obrigação de darem uma reviravolta geral em seus últimos minutos, e poderia até ser interessante, como em “Os Outros” ou o excelente “Espíritos”, mas parece que a fórmula Shyamaliana de impressionar faz com que qualquer roteirista ache que pode amarrar tudo em questão de segundos. Engano absurdo.

A primeira vez que ouvi falar de “Re-Cycled” (o título em português é mais um exemplo da minha eterna briga por essas porcarias de “idéias” nacionais) foi vendo um trailer sei lá onde, no começo do ano passado. Produções coreanas e chinesas sempre me chamaram a atenção. Quando me deparei com o poster escrito “Assombração” pensei “bom, pelo menos eu vou poder ver o filme. Foda-se o medíocre nome que deram”). Na verdade, o nome que deram foi para obviamente atrair aquela faixa básica que se alimenta vorazmente de filmes de terror e suspense. Não só adolescentes, mas também uma cultura atual que curte o susto, mesmo sem saber o que é. O assunto espiritual vende. E muito. E o cinema está explorando o que pode com isso.


Não há “assombrações” em Re-Cycled. Aliás, o melhor título para o filme é esse mesmo. Somente traduzir o título em português também iria soar bem e, tampouco, passar seriedade. Talvez “Re-Ciclo” fosse a tradução mais respeitável.

O filme começa interessantemente bem. Cria um clima, explora personagens e apresenta a boa atriz principal. Infelizmente parece que na segunda metade cede a construção inicial para um improviso visual particularmente belo, mas que torna-se o alicerce do restante do filme, deixando a interessante história inicial para trás e perdendo a oportunidade de entrar de cabeça do universo criado pela personagem principal. Próximo do final, o filme não decola e também não define. É o CGI em função do roteiro, um tiro certeiro na falta de originalidade.

Ainda bem que foi o primeiro do ano, e não o último. E foi uma pena uma construção inicial tão boa ser corroída dessa maneira.

O DVD é hiper trash em extras. Tem umas cenas excluídas e só. Nem com isso tiveram cuidado.

 
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Publicado por em 12/09/2009 em Uncategorized

 

Presente para a imaginação

(publicado originalmente em maio/09)


Começo este texto me desculpando. Sempre achei que o diretor do excepcional O Estranho Mundo de Jack era Tim Burton. Aliás, muita gente achava. Ficam aqui as minhas desculpas mais sinceras a Henry Selick, um diferencial no mundo do stop motion.A verdade é que Tim Burton merece créditos por simplesmente amar stop motion. Foi dele que partiu esse revival sobre a técnica e como isso poderia render bons frutos. Por sua característica introspectiva e soturna, Burton meio que marcou o território sobre tudo o que se poderia contextualizar como dark no mundo do cinema. Seu primeiro grande sucesso, Os Fantasmas Se Divertem, já usava a técnica e, consequentemente, flertava com a inconveniência espiritual, deixando muitos espectadores incomodados. Mas ali, naquela brincadeira, Burton fincou sua bandeira. O que veio a partir daí foram filmes com narrativas únicas presentes em todos os trabalhos de Burton: a sombra bem projetada, o roteiro diferenciado, os atores selecionados a dedo e, principalmente, o fator estranho, algo que aparentemente somente Tim Burton conseguiu domar. Todos os seus filmes tem um DNA próprio, seja um filme de terror, seja um filme infantil.

Entretanto, dois filmes que sempre me marcaram relacionados ao stop motion foram produzidos por Burton, e não dirigidos: o já citado Nightmare Before Christimas e James e o Pêssego Gigante, este um filme que interessou a poucos, talvez pela sua natureza sombria e diferente, não tornando-se um blockbuster como outras animações mais comerciais. E ambos foram dirigidos por Henry Selick, que ainda tem no currículo o fraco Monkeybone que, apesar de tudo, tem em sua essência tudo aquilo que permeou o trabalho de Sellick: personagens esquisitos, teor assustador, e estilos diferentes de filmagem. Infelizmente, o plot não sabe onde deve chegar e chega a dar sono. Mas a marca de Selick estava ali, na direção, indiferente do roteiro. E foi isso que me segurou até o final do filme.

Coraline, além de Sellick e Burton, tem Neil Gaiman. E o britânico faz algo que todo bom escritor deveria fazer: manter seus produtos nas rédeas. Ele abre mão de um grande cachê para poder conduzir suas criações à sua maneira. Entrega seus “bebês” para quem se dispor a cuidar melhor deles. E acompanhou todo o processo de desenvolvimento junto com Sellick, inclusive aprovando a expansão da idéia inicial de seu livro, inserindo personagens e fazendo pequenas (mas simbólicas e corretas) mudanças.

O resultado disso tudo é quase impossível de descrever em palavras. A união de ferramentas atemporais (stop motion e 3D) é brilhante em todos os aspectos. Sério. Sellick conseguiu construir uma obra visualmente espetacular, amarrada a um roteiro sombrio, mas extremamente agradável e carregado de criatividade. Manteve até detalhes tecnicamente sinistros do livro, causando certo desconforto para pais não avisados que esperassem algo “mais Disney”. Personagens tridimensionais em características, bem construídos, com motivações explícitas e fundamentadas e uma história fantástica beneficiada pela belíssima trilha sonora de Bruno Coulais que intensifica a ação, enaltece o suspense e silencia a apreensividade.

É o exemplo de que um filme pode ser feito sem se preocupar apenas com o box office. Um filme feito com carinho, respeito, admiração e amizade. Se a maior parte dos filmes fosse pensada dessa maneira, provavelmente teríamos mais qualidade.

Coraline é um presente para a imaginação.

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Ficha Técnica
Nome original: Coraline
País: EUA
Ano de lançamento: 2009
Diretor: Henry Selick
Elenco: Dakota Fanning, Teri Hatcher
Site oficial: www.coraline.com

 
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Publicado por em 04/09/2009 em Uncategorized

 

Filmes

Ressaca de AmorForgetting Sarah Marshall - Judd Apatow,  mais uma vez, embrenhado numa comédia adulta, sensível, realista e hilária. Assim com em Se Beber, não Case, pegaram um tema hiper batido e o tornaram interessante e divertido de se ver na tela. Impossível não se identificar com o personagem principal algumas vezes. Além disso, duas das garotas que tiveram destaque em TV mais bonitas que eu já vi: Mila “That 70′s show” Kunis e Kristen “Veronica Mars” Bell. Recomendo do começo ao fim para quem curtiu O Virgem de 40 anos e Superbad. Ah, o elenco está afinadíssimo, mas não veja com a sua tia de 60 anos. PS: o título em português ficou Ressaca de Amor. Intragável.

Intrigas de EstadoIntrigas de Estado – Haviam me recomendado este como um suspense, mas vai mais pra linha do policial político. Até a metade, nada demais, mas dali pra frente segura bem melhor e não esperava que a explicação da história seria tão interessante. Russel Crowe fazendo um grande papel, Ben Affleck fazendo as caras de sempre, o que não compromete o filme.

Não é um filme de ação, mas quem gosta de um roteiro inteligente, verossímil e, principalmente, cheio de intrigas, vai gostar muito. Recomendo.

Juizo FinalJuízo Final – Eu já não havia gostado do hype feito em Abismo do Medo, um filme que achei bem fraco. Então, depois de ver o trailer desse Doomsday, nem me importei, apesar de ter a maravilhosa Rhona Mitra. Parecia um emaranhado de clichês que misturavam Exterminio, Mad Max, Rock Horror Show , Warriors e outras coisas. Mas depois de ler a crítica do Omelete me animei a cabei vendo. Preciso confiar mais na minha intuição, o filme é mesmo um emaranhado de outros filmes e só vi até o final por causa da protagonista. Ô filme ruim.

minhas-adoraveis-ex-namoradas-poster01Minhas Adoráveis Ex-Namoradas – Eu gosto do McConaghey. Sério. Mas o cara só se mete em furada. Acho que o último papel decente dele foi em Reino de Fogo, depois disso, só comediazinhas e babaquices. O cara precisa de um  novo agente urgentemente, porque acho que tem talento. Enfim, mais um filme pra tentar faturar no Dia dos Namorados. Um filme sem sal, sem açúcar, com um roteirozinho baba que sabe-se desde os primeiros minutos que o mocinho vai ter a chance de tomar a liçãozinha de moral e tudo vai dar certo. Acho que eu tava num bom humor do cão pra ver até o final. Ruim até o osso.

velozes-e-furiosos-4Velozes e Furiosos 4 - Eu gosto do Vin Diesel. Acho que ele se esforça pra caramba nos papéis que faz. E o primeiro VF é ótimo exatamente por causa do cara. O Toretto é um fulano crível, simpático e que capta a platéia. Fiquei feliz quando a turma toda voltou pra fazer o 4, já que o segundo só tem a Eva Mendes que preste e o terceiro eu vi umas duas vezes na Tv a cabo mas nem lembro da história. Eu gostei do 4. Tem um roteiro palpável, com atuações boas dos caras e ação na medida certa. Parece que retomaram o caminho certo, ou seja, façam os demais com a presença do Diesel, ou nem façam.

 
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Publicado por em 30/08/2009 em Uncategorized

 

Dá raduquem, Riu!!!

Gosto muito do trabalho do Mundo Canibal. Pra quem não sabe, eles não vivem só de Avaiana de Pau (mesmo sendo um dos webvideos que mais vi na vida). Os caras tem um trabalho voltado para design e publicidade muito legal também e, pra quem não conhece, é uma boa pedida.

E durante esta semana, me recomendaram a Game Novela Street Fighter. Eu, como jogador velho que sou, da época do Street de Rodoviária mesmo, passei mal de rir.

Mais um trabalho de narração exemplar. :)

 
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Publicado por em 28/08/2009 em Uncategorized

 
 
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