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Arquivo da categoria: Televisão

Vácuo e limbo

galactica

Complicadaço escrever sobre Battlestar Galactica. Estou acompanhando a série há exatos 5 meses, por diversas indicações de amigos, que usam termos como “genial”, “espetacular” e o básico “divisor de águas”. E estes 5 meses passaram muito rápido em todos os sentidos e intercalar seus episódios com os de séries que eu já acompanhava com Lost, Fringe, Californication, House e The Office me levou a fazer manobras interessantes no cotidiano, pois minha esposa e naves espaciais não combinam de jeito nenhum. Mas se limitar a falar sobre BG usando termos genéricos de aventuras no espaço é cometer um erro terrível. Eu já conhecia a série antiga, mas me recordo pouco e ninguém me contraria quando digo que era uma versão televisiva menos cool de Star Wars. Sabiamente, os produtores desta nova versão usaram apenas a premissa básica e inseriram pequenos elementos da série antiga para um link com os fãs antigos. Inteligente e elegantemente o target que poderia vociferar contra a produção foram isolados, agora é inserir conteúdo onde havia vácuo, o que pode parecer uma tarefa fácil, mas não é, pois separar o que presta do que não presta com olhares de cash producers sobre os ombros não é tarefa pra qualquer um e, em qualquer momento, eles podem aparecer pedindo subterfúgios óbvios, cenas de sexo gratuitas e inserção de elementos que nada acrescentam à trama somente pelos números de audiência.

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Nada disso aconteceu e, com o apoio dos fãs, Galactica alça vôo novamente. E comparações começam a surgir (Star Wars, Jornada nas Estrelas, obviamente), algumas com fundamento, outras somente pegando pequenos momentos e pré-julgando sem ter conhecimento de causa. Muita gente assistindo pelas cenas de batalhas (que são impecáveis), outros interessados pelo plot humanista, pois o plot é tão intenso e expansível (o que é um contraponto, já que estamos falando de uma história que se desenrola dentro de uma nave espacial levando o último grupo de humanos, cerca de 40.000, em busca de um planeta chamado Terra, com os inimigos – alter egos? – cylons querendo a aniquilação da raça) que as perseguições em CGI acabam formando um balanceamento estável com a estória, que é o real centro de atenção. Foram 3 temporadas debatendo racismo, doenças, religião, diferenças sociais, relacionamentos inter-raciais, posicionamentos, erros, acertos, fome, greves, pré-julgamentos, leis, dentre tantos outros. O universo sempre mostrado em profundidade na sala de comando parece ínfimo comparado ao que acontece dentro da Galactica e de seu pequeno grupo de fugitivos. E no comando dessa nave, um impecável Edward James Olmos que se apresenta como um monstro vivo de interpretação, funcionando como um catalisador interno de tudo o que foi citado. É ele quem deixa a atuação dos outros atores mais intensa, viva e humana. Entre atentados contra sua vida, acertos e erros, Olmos mostra que o humano é imperfeito em todos os sentidos, mas que ser humano é principalmente, aprender e seguir em frente.

battlestar-galactica-cylon-centurion-1Mas, dentre todas características positivas do filme a que mais se destaca para mim é a estratégia das batalhas. Desenhadas e calculadas com realismo impressionante, as manobras contra os robôs Cylons mostram a diferença entre as duas raças: a constante reinvenção e criatividade em busca da sobrevivência da espécie. Há uma sequência de um resgate no início da terceira temporada que me fez levantar do sofá, de um jeito que nenhum filme de cinema havia feito em anos. E é isso que Galactica tem de melhor: assim como os humanos lutam pela sua sobrevivência, o seriado faz de tudo para cativar o espectador não pela beleza óbvia de seus efeitos, mas sim pelo conteúdo singular e coordenado. E essa inteligência de batalha não tem nada de Star Wars, talvez um pouco de Star Trek, mas muito ali foi bebido de um clássico oriental pouco conhecido chamado Yamato que, por si só, já carregava o primeiro tema dessa nova série Galactica: o da busca pelo planeta que pode ser a redenção e sobrevivência da raça humana. Mas não é uma cópia, considero mais que seja uma homenagem pois Yamato e Galactica tem coisas demais em comum. Impossível quem acompanhou o anime não entender as semelhanças e até colocar a nave de formato de submarino no lugar da Galactica de vez em quando. Se conhece ambos, faça isso, é um exercício interessante e curioso.

O final da terceira temporada é impecável em tudo o que se espera de um season finale: amarra pontas, solta outras, deixa um suspense perfeito para o reinício da última temporada e faz até a utilização de um classicaço do rock num momento espetacular da série que, desde já, me deixa com saudades.

E agora vamos para a última temporada. E sei que o desenlace vai ser difícil porque, desde o início, eles tinham um plano…

Season 1 / Season 2 / Season 3

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UPDATED: Alertado pelo Samurai, procurei um box completo. E não é que ele existe? E vai virar meu presente de Natal pra mim mesmo…

 
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Publicado por em 12/11/2009 em Séries, Televisão

 

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Frankenstein animado

(publicado originalmente em out/06)
Há tempos me diziam pra ver o “Adult Swim” no Cartoon Network. Pra quem não sabe, é um bloco dentro do canal voltado para o público adulto. Começa umas 23h e se extende pela madrugada. Nunca dei muita atenção, até que assisti “Frango Robô”.

Virei um junkie dessa podreira.


Animação tosca, utilizando action figures (bonecos de ação) variados, que vão desde os básicos como Alien e Predador até Eric Estrada e Jesus Cristo. Não tem um tema definido, são pequenos trechos curtos que abordam temas aleatórios. Todos hilários e com aquela pitada de sexo, baixaria e nonsense, nem sempre nesta ordem.

O criador dessa pérola é Seth Green, ator de comédias americano mais conhecido como o filho do Dr. Evil de “Austin Powers”. Ele mesmo faz as dublagens e zoa principalmente com conhecidos do ramo.

Ah, mas a dublagem nacional é impecável. Sensacionalmente hilária.

O episódio 9 chama-se “Um pouco de ação” e conta com duas performances espetaculares: uma sátira do programa “Pimp my Ride” (que pega um carro zoadérrimo e o deixa todo tunado) que aqui vira “Pimp my Sister” em que o cafetão chega na casa de um moleque qualquer propondo a “catequização” da irmã. Chorei de rir.

Mais ainda é a sequência, que apresenta uma convenção de ficção científica americana lotada de nerds. Leonard Nimoy aparece até dá uns tiros.

O Adult Swin tem outras coisas legais, mas Frango Robô, por enquanto, é imbatível.

 
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Publicado por em 01/09/2009 em Televisão

 
 
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