
Fui apresentado ao Nick Hornby de um jeito meio inusitado. Uma garota meio que me fez ler forçado seu primeiro e maior sucesso: Alta Fidelidade. Sobre brados de “é a sua cara”, “te vi ali, atrás daquele balcão de loja de discos” e”até seus amigos estranhos estão no livro” e, desde então, fico aguardando a cada vez que ele lança um livro. Não é uma leitura sofisticada, tampouco versada em contextos complexos e frases Academia Brasileira de Letras. Nick (estou com ele há mais de 15 anos, portanto acho que ganhei o direito de chamá-lo assim, ok?) escreve sobre o que gosta e, basicamente, escreve sobre comportamento, música e cultura pop. Independente de seu fanatismo pelo Arsenal (que já ganhou uma homenagem em forma de prosa, adaptada de um jeito bem porco pelos americanos), Nick é um cara da vida e do povo. Seus personagens são pessoas comuns em situações incomuns, mas não impossíveis. Seu texto é leve, orgânico e, muitas vezes, ácido. É uma excelente leitura para se colocar no lugar dos personagens e reavaliar sua vida, praticamente um roteiro de cinema pronto, tanto que 3 de suas obras já viraram filmes (duas excepcionais, outra vergonhosamente ruim) e outros 3 de seus livros já estão sendo roteirizados para a telona. Recomendo demais se você não conhece o autor, mas não ache que o conhece pelos excelentes filmes, e sim pelo conjunto da obra.
E fiquei feliz ao ver que o Submarino está com uma promoção de 3 livros fantásticos do cara por 10 dinheiros cada. Inclusive, Alta Fidelidade, um livro que tem um filme maravilhoso, e é o que desencadeou toda essa fama providencial ao Nick. O plot envolve relacionamento amoroso, cultura pop, música dos anos 80 e alguns dos mais sensacionais diálogos que você vai encontrar em literatura moderna. O engraçado é que Stephen Frears fez um filme do livro que não se parece com o livro, serve como um complemento, assim como o livro é o mesmo do filme. Sei lá, é a mesma história contada de maneiras diferentes, mas sem perderem as características um do outro. Um livro maravilhoso (leitura obrigatória pelo menos uma vez por ano) e um filme excelente (uma revisitada também uma vez por ano).
O segundo, Um Grande Garoto, também tem sua versão em filme, e ambos tem seus momentos de grandiosidade. É uma história leve que envolve um garoto filho de mãe solteira, um solteirão rico egocêntrico e irresponsável e como ambos irão interagir para dar continuidade a suas vidas. Mas, no meio de tudo isso, situações hilárias envolvendo ambos, muita auto-crítica e necessidades de mudanças. É um livro adulto, moderno e realista. Vale a pena.
E o terceiro é simplesmente incrível. Uma Longa Queda narra a história de 4 suicidas em potencial que se encontram no terraço de um prédio e que ficam encontrando maneiras e justificativas para seus atos, mas condenando uns aos outros até que eles decidem se unir por um determinado tempo para encontrar uma pessoa. A partir daí, suas vidas se entrelaçam e a ironia dos acontecimentos faz com que eles reavaliem suas tendências, necessidades e atitudes. Sensacional.
Enfim, para você conhecer melhor o Nick e entender o que ele tem a dizer já é o suficiente. Mas cada livro dele tem um gosto diferente, mas todos tem um elemento geral: a crítica ao comum e a necessidade constante de renovação.
Conheça Nick Horby. Você não vai se arrepender.