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Arquivos do Autor:Sandro Cavallote

Sobre Sandro Cavallote

Comunicólogo, profissional de criação e escritor.

Adeus, smartphone

Na busca por um livro indicado por um amigo, me vi na inusitada situação de ter que ir até uma livraria para retirar o mesmo. Fiz toda a pesquisa na web, mas não encontrei para venda on-line e, onde encontrei, demorariam cerca de 5 dias para entregar. Para quem usa o transporte coletivo de São Paulo, sabe que um bom livro segura muito stress. Assim, decidi que não haveria problema algum me deslocar para lá, algo que não fazia há algum tempo.

A vida on-line nos deixa assim, preguiçosos. Podem chamar de praticidade, mas aprendi com essa aventura que pode até ser prático, mas no fundo mesmo a preguiça é a grande vencedora. Preguiça não apenas do deslocamento, mas do convívio social, da possibilidade de ser surpreendido, pela emoção de ver um outro ser humano totalmente desconhecido. Estamos nos tornando seres desconfigurados socialmente,

Cheguei até a mega livraria, que é em um shopping, e já fui logo procurando um terminal de pesquisa. Constatando que os únicos que tinham acesso aos computadores eram funcionários, meu cérebro estranhou, respirei fundo e me vi tendo que perguntar algo a um semelhante. Ao pesquisar, o funcionário sequer colocou o nome do livro na busca e já foi me dizendo que não tinham. Reparei o erro, mas não o alertei em primeira instância. Demorei uns 5 minutos até encontrar outro funcionário, que repetiu a mesma coisa e, mesmo eu dizendo que o nome estava incorreto, insistiu que não tinham o livro no local e que “a busca no computador nunca falha”. Pensei em desistir e procurar outra coisa. Olhei, mas meu cérebro não consegue mais assimilar as coisas com calma e paciência, eu precisava de uma forma de busca otimizada, algo que realmente me fizesse sair dali em 40 segundos, satisfeito com alguma aquisição. Senti até meu coração disparado, o que não é algo muito comum para mim. O contato com a livraria me deixou elétrico e sem foco, eu não conseguia sequer visualizar as prateleiras com atenção. Ao me dar conta desse fenômeno estranho, respirei fundo e fiz o possivel para me lembrar como eu adorava passar algum tempo na livraria, escolhendo algo que eu não sabia direito o que era. Ou melhor, eu esperava ser encontrado, não corria de encontro desesperadamente ao que estava procurando. Encontrei uma funcionária que parecia ser mais atenciosa e, com um sorriso no rosto, ela completou o nome do livro que eu estava procurando antes mesmo de eu terminar. Foi ao terminal mesmo sabendo que não tinha o livro, só para me dar a notícia de uma forma humana e respeitável. E ainda me informou que havia uma edição em outra loja deles, também em um shopping. Agradeci e me lembrei que há outras formas de vida além da web. Por mais contato que eu tenha com amigos, familia e clientes, uma parte de mim havia esquecido como era divertido entrar numa livraria.

Como a outra loja era próximo do caminho de volta para casa, decidi tentar mais uma vez, por mais cansativo que fosse. Me lembrei de como os  120 minutos ida/volta no ônibus podem ser estressantes, e como uma boa leitura faz com que esse tempo passe rápido. E o tema do livro havia me fisgado. Um tópico que há algum tempo vem me incomodando, mas que eu não conseguia colocar em uma linha de raciocínio coerente.

Ao chegar na livraria depois de um bom tempo, decidi parar por alguns segundos e esquecer que, com a web, tudo ficou mais ágil, inclusive nossa convivência com outros seres vivos, e que o mundo não é um grande Google. Somos seres pensantes, que respiram, que se relacionam, e que, principalmente, sentem. A web é nossa ferramenta, não o contrário. Estamos nos tornando autômatos, párias sentimentais, nos deixando dominar diariamente pela avalanche de informação segmentada que a web nos envia segundo a segundo. Sou uma pessoa que trabalha com criatividade, e criatividade precisa de tempo, coisa que o Google não permite. Meu cérebro assimila a compreensão das coisas, não seus logarítmos. Parece que, diariamente, somos forçados a obedecer ao compasso rítimico digital do computador, sem chance de negociação. O ON do micro determina nossa conexão com o mundo, independente de quem está ao nosso lado. E o OFF do micro é nossa deixa para voltar e dormir, para apenas aguardar o novo ON do dia seguinte.

Estar conectado é vida. Hoje, com os smartphones e ipads, a impressão que dá é que se a web parar, tudo ruirá, inclusive nosso sistema vital. A impressão é que se a web parar, nosso coração parará de bater. Claro que entendo a importância da web, mas estamos deixando de raciocinar como seres pensantes, achando que tudo precisa ser na velocidade da internet. Pense: quantos compartilhar você deu no Facebook sem ter nem lido a matéria, só a chamada principal? Quantos textos de verdade você leu nos últimos tempos com a devida atenção? Nossos olhos estão sendo domesticados a julgar um texto pelo título. Estamos nos tornando superficiais em nossos argumentos, sendo que esta é a época em que temos mais informação a ser dividida. Estamos fazendo isso porque o que conta é a velocidade da informação, não o seu conteúdo.

Na livraria, me dirigi a uma atendente que, atenciosamente, me levou até a prateleira de psicologia. Disse algo sobre livros fora de ordem, algo que nem me importei. Simplesmente me agachei e comecei a procurar o exemplar. Depois de alguns segundos, eu mesmo o encontrei. Sorri, fiz uma piadinha sobre o fato, e fui retribuido com uma grande risada da atendente, seguido de um boa noite.

E fiquei pensando que nenhum site de compras poderia sorrir pra mim daquele jeito e nem me fazer sentir humano pelo que mais no representa: nossos sentimentos.

Mas que se o Google soubesse que isso era importante para mim, me enviaria um emoticon “dois pontos + fecha paragrafo” agradecendo pela minha compra, como se fosse a mesma coisa.

 
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Publicado por em 17/03/2012 em Artigo

 

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Reverberre!

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Se você tem uma banda, participe da pesquisa Reverberre

Se não, indique um amigo que tenha a participar!

 
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Publicado por em 09/03/2012 em Uncategorized

 

Velhos e conhecidos piratas

Agora que a biografia que ainda não foi lançada já cresceu 42.000% em vendas, muita gente fica conjecturando sobre quando um filme sobre o CO-criador da Apple vai aparecer.

Muita gente não sabe, mas parte da vida de Steve Jobs já tem um filme.

Em 1999, a TNT lançou um filme baseado no livro “Fire in the Valley” chamado “Piratas do Vale do Silício“. Na época, ninguém deu muita atenção, apesar das excelentes críticas e dos prêmios. O fato é que, se não obrigatório, é um filme riquíssimo para entender os fenômenos Apple e Windows. Que Steve Jobs deveria ser o pior patrão do mundo, ninguém tem dúvida porque, apesar de ser um visionário (isso ele é certamente, um gênio como alguns o atestam, nunca) ele tinha fama de ser casca grossa ao extremo, e há centenas de depoimentos de ex-funcionários da Apple que pagariam para dar um soco na cara dele. Característica esta também de outro cara que cresceu ali naquele meio do boom personal-tecnológico, Bill Gates. A diferença entre os dois, além do fato de Steve Jobs ter um olho capitalista focado em coisas não apenas funcionais, mas também fantasticamente bonitas, é que Gates não tinha (e até hoje não tem) o menor problema em que seu Windows tem uma interface horrivel, independente da versão, contanto que as pessoas o consumam. E sempre deixou isso claro, nunca escondeu isso de ninguém.

Obsessões e chiliques a parte, o filme tem um fluxo de informações tão contagiante que até para os não-geeks acaba sendo extremamente interessante. E, o mais importante, ilustra uma fase tão complexa da história da tecnologia moderna através de textos ágeis, concissos e uma edição musicalmente impecável. Anthony Michael Hall e Noah Wyle estão extremamente a vontade nos papeis, mas o grande trunfo realmente é mostrar que naquela época a genialidade na corrida pelo computador pessoal não foi causa, mas sim consequência. O que ambos fizeram nada mais foi do que dar funcionalidades a necessidades que as pessoas nem sabiam que tinham, pois elas realmente ainda não tinham. E não criaram nada, simplesmente deram novo norte para projetos engavetados por empresas que não vinham potencial nenhum na possibilidade de uma pessoa, dentro de sua casa, ter um computador.

A certa altura do filme, mostra-se a bandeira da Apple com a caveira símbolo dos piratas hasteada em frente ao escritório principal. E era isso, ninguém tinha vergonha de dizer que invadiu/pilhou/estuprou o outro. Haviam os monstros corporativos IBM e Xerox. E haviam os ratos do navio, que esperavam pelo momento certo para o motim. E a criação desses micros que usamos hoje, todo santo dia, foi baseado nisso: pilhagem.

A grande diferença é que Steve Jobs soube trabalhar a Apple com dois fatores: competência e fanatismo. Não há como não afimar que os produtos da Apple não sejam muito melhores do que os PCs porque são. Isso é um fato inegável. Enquanto Bill Gates preocupou-se realmente em tornar seu software impreterivelmente necessário para qualquer PC.

Certos ou errados, aposto que nem Steve Jobs nem Bill Gates imaginariam que se tornariam cópias daquelas empresas que tanto criticaram. Dinheiro no bolso? Claro, isso é o que realmente importa. E apesar das grandes diferenças entre as duas empresas, Apple e Microsoft, ambas extrapolam o limite do capitalismo, cujo único objetivo é obter lucro.

Seja ele em forma de arte. Seja ele em forma de necessidade barata.

 
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Publicado por em 17/10/2011 em Filmes

 

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Precisamos de outros heróis

Começa o filme.

Um solitário carro corta uma estrada em um deserto que não lembra nenhum lugar e, ao mesmo tempo, lembra todos os lugares, principalmente em um futuro não muito muito distante, como ressalta a pequena frase que precede a primeira cena. O nome do motorista é Night Rider. Ele, insanamente, provoca a policia local roubando um carro e partindo pela estrada com um destino único: mostrar quem manda.Ele grita, esperneia, pisa descalço no acelerador. E não se preocupa nem por um minuto em salientar que a estrada é dele, e de ninguém mais.

A perseguição continua. Carros são destruídos, a frase PERSEGUIDOR do carro da polícia salta aos olhos do espectador. É um carro de busca. Night Rider não dá a mínima. Ele é uma máquina suicida. Nada vai detê-lo. Em questão de segundos, não há mais carro de busca. Os policiais entregam os pontos, e avisam um parceiro solitário.

- “Max, estamos 100% fora da brincadeira. Agora é com você.”

Calmamente, a câmera mostra a frase INTERCEPTADOR na traseira do carro de Max. A perseguição acabou. Começa a interceptação.

E qdo Night Rider, o “escolhido”, o conquistador, simplesmente vê que não é mais o carro de perseguição que está atrás dele, cai em um pranto silencioso e sincero. Ele chora, sua namorada ao lado não entende nada. “O que está errado?”. “Acabou… acabou…”

Night Rider sabe que não vai sobreviver ao Interceptador. E nem tenta se convencer do contrário. Segundos depois, Night Rider não existe mais, é só uma bola de fogo e ferro retorcido.

Esses são os 7 minutos iniciais de Max Max, de 1979. Há tempos esperava rever, mas acabei fazendo uma maratona com os 3 filmes durante a última semana. E quer saber? Deu uma tristeza pensar no cinema bunda mole que hoje assistimos.

Os dois primeiros Mad Max são viscerais, não tem medo da destruição. Não a promovem, mas chegam ao limite do que pode ser feito em termos de velocidade e dublês. Não havia computadores. Não havia truques. Eram só dublês amarrados em carros a 120km por hora. Era um cinema pop sem medo, que não tinha receio de causar vertigem e de colocar o espectador no centro da baderna toda. Mel Gibson comeu poeira, e muita. Motoqueiros com machados, armas, facas. Tudo isso causando uma inevitável sensação de medo, sem ser gore, nem apelativo nem explicito. Era um cinema de ação de coragem, de câmeras surreais e criatividade. Não há necessidade de mostrar o corpo queimado do amigo de Max, Goose, é só mostrar o terror nos olhos de Max ao vê-lo.”Esse NÃO É o Goose!”. Não há necessidade de mostrar as motocicletas atropelando a esposa e o filho de Max na estrada, é só mostrar o sapato de bebê caindo na passagem das motos. Atores que não tinham receio de cair no chão, de serem jogados por janelas de madeira, de pendurar-se em carros em movimento.

Eu tinha esquecido da sensação que é ver um filme de ação do caralho.

Não há truques. Não há cabos. Não há superpoderes. O que há são fraturas, suor, motos destruídas, areia, sol e óleo queimado e a sensação de que o cinema de ação já não existe mais. Bundamolice prevaleceu. Cinema de ação hoje é dança, ensaio e coreografia. Um balé digital que tenta emular cenas clássicas de quem realmente se machucou pra fazer uma cena. Cinema hoje é um bullying cerebral emulando realidade através de efeitos 3D. E eu duvido muito que um cara como Max saiba dançar.

O segundo é mais destruidor ainda, com as cenas de perseguição amplificadas e seguindo o curso normal da história proposta. A luta é por combustível, e quem o detém tem poder. Max não quer ter poder, só quer continuar vivendo. Em troca de combustível, ele vai ajudar um grupo de pessoas a passar um caminhão para uma “terra prometida”. Um garoto-fera com seu bumerangue afiado tem algumas das melhores cenas do filme, e é incrível como não há receio em colocar os protagonistas realmente na cena, dirigindo aqueles carros com partes faltantes, muitas vezes só carcaça e motor. Um passo em falso e a morte é certa. Está nítido, sem necessidade de câmeras lentas ou efeitos de fundo verde. Está ali, pra qualquer um ver e crer.

 

O terceiro, apesar de sua índole pretensamente “infantil” segue um caminho natural da história, mais uma vez. No primeiro, o apocalipse, no segundo, a busca pelo que valia mais, no terceiro, a organização de comunidades e o potencial uso da inteligência que havia sido relegada nos anteriores. O Homo Sapiens novamente em evolução. E, apesar da temática, não fica devendo em nada para seus sucessores no item de perseguição de veículos e perigo imediato. Inclusive, há crianças (sim, eu disse crianças), penduradas em veículos na sequência final de perseguição.

Cinema de ação sem medo e sem reticências. Sinopses concisas e que não precisam ser Shyamalaniadas. O Max é doido. Ponto. Vamos destruir alguns carros e entregar o que o público realmente espera: entretenimento para discutir e cenas para serem relembradas e discutidas na hora da saída do cinema. É sair com o coração na garganta, pensando que um deslize a mais na cena e fulano morria. Literalmente.

Me chamem de velho e saudoso. Mas me chamem de verdade, não me mandem SMS, e-mail ou tweet. Só coloquem as mãos em formato de concha ao redor da boca e gritem o mais alto que puderem.

 
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Publicado por em 25/08/2011 em Dicas de filmes

 

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Eu e meus velhos Compact Discs

Uma pequena parte do todo.

Podem me chamar de velho, sem problemas, mas eu adoro CD.

Estava eu fazendo uma daquelas coletâneas que tanto gosto, jogando arquivo .mp3 pra lá e pra cá (sim, vc pode ser um colecionador de CD e usar arquivo MP3, porque para montar coletâneas extensas você pode converter sem problemas pra caber mais no próprio CD editável. Somos saudosos, não ogros) e fiquei pensando em como essa coisa do arquivo digital ajudou a deixar tudo mais rápido e ágil, mas está acabando com a graça real de se pegar um CD na mão, que é o encarte.

Pô, era sensacional pegar o encarte do CD cheirando a novinho depois de rasgar o maldito plástico com um clip ou algo pontiagudo, o que geralmente fazia você riscar a caixinha de acrílico, e retirar o encarte com todo cuidado no manuseio. As letras, o projeto gráfico, tudo era motivo de crítica ou admiração. Meu primeiro Afrociberdelia veio com um estojo laranja, que conservo até hoje. Titanomaquia veio num mini saco de lixo. O encarte de Melon Colie and the Infinite Sadness tem um dos projetos gráficos mais lindos que já vi. E haviam os CDs duplos, como o The Wall, que provavelmente iria chegar com a parte do encaixe já quebrada. Normal, a gente ficava puto na hora, mas passava por cima em questão de minutos por um encarte decente. E quando o encarte era ruim, havia a decepção inicial, mas nada que uma boa produção musical da banda não fizesse com que tudo isso fosse esquecido rapidamente. Foram muitos Mudhoneys neste esquema pra começar a filtrar melhor…

E mesmo ainda colecionando CDs originais, eu fico meio receoso com essa nova tecnologia, por mais prática que seja. Agora, depois da manipulação do MP3, eu ainda tenho a oportunidade de jogar uns 4 Giga de música num pendrive que fica pendurado na parte frontal do rádio. Fica feio, sem graça, completamente fora da estrutura, mas pra um fã da boa musicalidade, acabou imprescindível no dia a dia, principalmente no trânsito caótico de São Paulo. Pego meu porta-CDs e penso que todos os 20 discos que ali estão ocupariam uns 20% de um pendrive. Dá desânimo, mas não consigo ainda viver só do digital. Pelo menos enquanto bandas como Pearl Jam tomarem o devido cuidado com a produção visual do CD, meu dinheiro eles sempre vão levar, ainda mais porque vejo o download de discos mais como uma degustação, na verdade. Não se engane: devo ter mais de Terabyte de músicas, muitas delas já convertidas em compra de CDs originais pois valem a pena. Também já deixei de comprar muita coisa que, em outras épocas, compraria sem medo por causa do MP3, que me salvou principalmente do último disco solo do Chris Cornell. E eu nem comecei a falar ainda da falta que sinto de encontrar CD nas lojas. Garimpar é legal, mas viver de bacião da Americanas e busca errada no Submarino é um parto.

E pra você que está lendo e pensando “cara, que papo chato. Baixa tudo e pronto” eu só te digo uma coisa: você nunca deve ter sentido como é legal ter tido um álbum de figurinhas.

 
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Publicado por em 24/03/2011 em Música, Textos

 

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Sobre discrepâncias e intangibilidade



Outro dia estava pensando que meu cansaço devido ao trabalho estava me deixando com o vocabulário mais enxuto, exatamente porque me peguei pensando demais nas palavras discrepância e intangibilidade. Desculpa plausível para um publicitário que lida com criação e tem que rebolar no malabarismo corporativo, onde são colocadas a prova diariamente a relação entre criatividade e medo da inovação, além da constante busca  da mensuração mercadológica em projetos diversos. Big deal, coisa normal.

Mas o fato é que isso me preocupou, ainda mais porque comecei a usar as palavras com certa freqüência. Eu, chato que sou pela busca constante de reciclagem, me peguei repetindo em situações diversas. Ao notar que também usava fora do ambiente de trabalho, percebi que essa constante deveria ter um fundamento. Passei a olhar um pouco mais para o assunto, coordenando um pouco mais a linha de raciocínio. Deparei-me que ambas estão sendo utilizadas no limiar exatamente pelo momento em que passamos, física – emocional – psicologicamente.

Estamos vivendo num mundo de discrepâncias e intangibilidade. Pelo menos, na atualidade. Estão em todo o lugar, principalmente nos assuntos que sigo e me permito ser conhecedor. No cinema, temos as maiores bilheterias do cinema atual com Tropa de Elite 2 e Nosso Lar, diferentes em todos os aspectos, incrivelmente contundentes de formas adversas. Na música de massa, o cansaço e a preguiça do pretenso “rock colorido” VS. a chatice do estilo americano de vender mulher e carros. Na Literatura Best Seller vamos do novo do Padre Marcelo Rossi a Lobão, com a volta da Bruna Surfistinha correndo por fora. No lado televisivo, vemos que a TV Aberta deixa de ser pudica e adere ao movimento da baixaria que antes criticava, Carlos Massa que o diga. Hoje seu programa, nos dias de maior concentração hormonal, é uma pluma perante a novelas e programas de auditório. Some a isso a ascensão das Classes C e D ao grupo antes seleto de assinantes de TV a Cabo. Extremos e discrepâncias.

No lado do que não dá pra medir, pelo menos no que se refere a conceituação de mudanças, alguém aqui já imaginou uma notícia de cinema em que pudéssemos ler uma frase como “diretor abandona direção em decorrência dos últimos acontecimentos no país (terremotos, tsunami e emergência nuclear”, como bem lembrou meu amigo Fivo? Ver um pais a beira de um cataclisma nuclear como agora, sendo que seu povo sorri e “está feliz por ter conseguido passar por esta dificuldade”. Kha-Ga-Ka-dafi sendo literalmente achacado pela própria população? O boom do cinema indiano a produção de milhões de dólares? São todas notícias que, há a alguns anos, soariam como pura ficção, coisa de folhetim de Watchmen, sem sombra de dúvida. Não digo que esse tipo de divulgação nunca aconteceu, entretanto só agora sinto essa aura de tremendas mudanças e reais possibilidades de inversão de valores, o que causa toda essa potencialização da intangibilidade.

Tudo isso me dá uma impressão louca de que o mundo vai plantar bananeira em breve. Será que a minha estafa de trabalho é que está me dando essa sensação? Duvido muito disso porque, por mais que eu esteja cansado, chato comigo mesmo eu sempre sou.

 
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Publicado por em 17/03/2011 em Textos

 

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Simetria

Acho que já disse um milhão de vezes que Tron, de 1982, é minha maior referência de cinema na infância. Nada de jedis, deloreans ou Amber Lynn, o universo criado por Steven Lisberger me deixou atônito por muito tempo e, até hoje, quase 20 anos depois, ainda me impressiona.

Lançado numa época em que a Disney ainda era valente e gostava de se arriscar com filmes a frente da sua época como O Abismo Negro, Tron era a síntese do hackeamento em um tempo em que a internet soaria como algo somente imaginado por William Gibson. Musicalmente, o pop rock dançante dominava as paradas musicais e os espectadores buscavam no cinema mais ação, risos e sustos do que efetivamente uma linha de raciocínio. Tudo isso culminou em um fracasso de bilheteria para a época, mas com ardorosos fãs no mundo tudo, basicamente geeks de computador, incluindo ali o ainda não tão conhecido criador da Apple.

Anos depois, a Disney resolve novamente aventurar pelo caminho cibernético e lança uma continuação tão hermeticamente fechada quanto seu predecessor, apoiando-se no consenso de que visual + 3D seriam fortes o suficiente para trazer uma franquia antiga de volta a vida, com o braço mágico da Pixar por trás da produção. Mas será que o universo criado para Tron teria uma nova oportunidade num mundo digitalmente renovado?  Pois a grande reclamação geral era de que o filme era complexo pelos seus bits e bytes. Será que as coisas andariam de uma maneira diferente num mundo em que terabytes soa como algo comum?

Tron – O Legado vem cheio de vontade, inclusive mercadológica. Trailers maravilhosos, divulgação poderosa, jogos, merchandising, tudo o que um grande estúdio teria de melhor para oferecer aos melhores filhos. Entretanto, o discurso se solidificaria? O que antes era complexo, hoje efetivamente seria palpável? E, mais importante: como fazer um público cujo digital é parte do cotidiano ser integrado (e apresentado) a um universo expandido, mas com uma estrutura narrativa já delineada?

Não vou mentir: é saudosismo puro. Emociona ver as linhas de contorno azuis e laranjas. Emociona ver o arcade Flynn´s. Emociona a chegada do jovem filho pródigo ao mundo digital. E emociona demais ver Jeff Bridges no papel que fez dele um ícone, em um dos poucos filmes em que o título revela a real importância de um personagem que, teoricamente, é secundário. Afinal, quantos títulos de filmes vc já viu que privilegiam a importância do personagem, e não o “herói principal” em si? Mas é uma emoção minha, da saudade de várias coisas da minha infância. De lembrar do meu pai ao meu lado, provavelmente não entendendo lhufas daquele universo, mas se esbaldando com o visual deslumbrante e inovador, assistindo um filme que, provavelmente, eu devo ter enchido muito o saco para que ele me levasse.

O roteiro é simples, até demais. Em um determinado momento, cheguei a pensar em uma reviravolta que deixaria o filme muito  mais intenso. Não aconteceu. Imaginei que não pensaram como Flynn verdadeiro pensaria. O roteiro voou raso e o ponto alto do primeiro filme, as lighcycles, apesar de mais vistosas e desenhadas, perderam boa parte de seu perigo iminente, que seriam as curvas em 90 graus. Colocar o grid em níveis foi uma boa saída, mas  não dá pra esquecer essa sequência no original. Tentou acertar e, em alguns momentos, até acertou. A luta com discos ficou mais visceral e elétrica. Mas o grande acerto mesmo é na trilha sonora, perfeita e que deixa o filme bem mais envolvente e moderno, com o Daft Punk esmiuçando cada detalhe daquele mundo e dando vida e energia a cada minuto.

Mas em um mundo em que existem filmes como Distrito 9 e, em termos pop, Kick-Ass, o discurso de Tron – O Legado pode soar como um vídeo-game apenas. E isso não é bom. Apesar dos momentos intensos e da simetria perfeita com o original, como o momento da descrição do nascer do sol, o que nos é entregue foi desenvolvido para os fãs incondicionais de Tron, aqueles que aguardaram 28 anos para ouvir novamente a frase célebre: “Eu jogo pelos usuários”.

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Publicado por em 06/01/2011 em Filmes

 

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Destino

Até tentei, mas não consegui descrever em palavras quanto o Season Finale da quarta temporada de Dexter mexeu comigo. Tudo bem, Lithgow dando um show, roteiro perfeito, aliás talvez a única série que tenha fluência em todos os episódios, pelos menos das que tenho acompanhado. O timming é perfeito, as interpretações, os plots paralelos. Michael C. Hall impressiona em suas mudanças simetricamente perfeitas de personalidade.

Mas a porrada no estômago (e no coração) que o seriado me deu ontem foi um sentimento único. Uma mistura de tristeza, desespero e, por que não dizer, de raiva. Não pela qualidade do seriado, impecável por sinal, mas pela estranheza da narrativa rica e que me lembrou automaticamente a Lei do Carma.

Já ouvi dizer que a série recomeçou sensacional. Vou acompanhar mais de perto agora, mas que nada vai tirar essa imagem aí de cima da minha cabeça por um bom tempo, isso não vai.

 
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Publicado por em 28/09/2010 em Séries

 

Propaganda enganosa

Apesar de ter achado Predadores divertidinho, fiquei com uma puta sensação de que fui enganado por conta dessa cena do trailer não inclusa no produto final. Foi essa cena que me convenceu a ver o filme no cinema e, pelo contexto da mesma no filme, era óbvio que não dava pra ser inserida. Só que descobrir isso depois de investir os 18 dinheiros (12 no meu caso, não é Dude?) é uma puta falta de sacanagem.

Enfim, podia ser melhor? Podia. Mas também podia ser muito pior…

PS: Alguém arrume um agente pro Lawrence Fishburne ASAP.

 
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Publicado por em 26/07/2010 em Filmes

 

Zillion

Abençoado seja o usuário Manny Cavalera, do Orkut, por disponilizar para download uma das grandes alegrias da minha infância.

E vida longa e próspera por, além de ter feito, complementou com a opção de versão original legendada ou com a excelente dublagem da década de 80.

E saúde eterna pela qualidade excepcional dos vídeos.

 
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Publicado por em 21/07/2010 em Anime, Séries

 
 
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