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Arquivo do mês: outubro 2011

Velhos e conhecidos piratas

Agora que a biografia que ainda não foi lançada já cresceu 42.000% em vendas, muita gente fica conjecturando sobre quando um filme sobre o CO-criador da Apple vai aparecer.

Muita gente não sabe, mas parte da vida de Steve Jobs já tem um filme.

Em 1999, a TNT lançou um filme baseado no livro “Fire in the Valley” chamado “Piratas do Vale do Silício“. Na época, ninguém deu muita atenção, apesar das excelentes críticas e dos prêmios. O fato é que, se não obrigatório, é um filme riquíssimo para entender os fenômenos Apple e Windows. Que Steve Jobs deveria ser o pior patrão do mundo, ninguém tem dúvida porque, apesar de ser um visionário (isso ele é certamente, um gênio como alguns o atestam, nunca) ele tinha fama de ser casca grossa ao extremo, e há centenas de depoimentos de ex-funcionários da Apple que pagariam para dar um soco na cara dele. Característica esta também de outro cara que cresceu ali naquele meio do boom personal-tecnológico, Bill Gates. A diferença entre os dois, além do fato de Steve Jobs ter um olho capitalista focado em coisas não apenas funcionais, mas também fantasticamente bonitas, é que Gates não tinha (e até hoje não tem) o menor problema em que seu Windows tem uma interface horrivel, independente da versão, contanto que as pessoas o consumam. E sempre deixou isso claro, nunca escondeu isso de ninguém.

Obsessões e chiliques a parte, o filme tem um fluxo de informações tão contagiante que até para os não-geeks acaba sendo extremamente interessante. E, o mais importante, ilustra uma fase tão complexa da história da tecnologia moderna através de textos ágeis, concissos e uma edição musicalmente impecável. Anthony Michael Hall e Noah Wyle estão extremamente a vontade nos papeis, mas o grande trunfo realmente é mostrar que naquela época a genialidade na corrida pelo computador pessoal não foi causa, mas sim consequência. O que ambos fizeram nada mais foi do que dar funcionalidades a necessidades que as pessoas nem sabiam que tinham, pois elas realmente ainda não tinham. E não criaram nada, simplesmente deram novo norte para projetos engavetados por empresas que não vinham potencial nenhum na possibilidade de uma pessoa, dentro de sua casa, ter um computador.

A certa altura do filme, mostra-se a bandeira da Apple com a caveira símbolo dos piratas hasteada em frente ao escritório principal. E era isso, ninguém tinha vergonha de dizer que invadiu/pilhou/estuprou o outro. Haviam os monstros corporativos IBM e Xerox. E haviam os ratos do navio, que esperavam pelo momento certo para o motim. E a criação desses micros que usamos hoje, todo santo dia, foi baseado nisso: pilhagem.

A grande diferença é que Steve Jobs soube trabalhar a Apple com dois fatores: competência e fanatismo. Não há como não afimar que os produtos da Apple não sejam muito melhores do que os PCs porque são. Isso é um fato inegável. Enquanto Bill Gates preocupou-se realmente em tornar seu software impreterivelmente necessário para qualquer PC.

Certos ou errados, aposto que nem Steve Jobs nem Bill Gates imaginariam que se tornariam cópias daquelas empresas que tanto criticaram. Dinheiro no bolso? Claro, isso é o que realmente importa. E apesar das grandes diferenças entre as duas empresas, Apple e Microsoft, ambas extrapolam o limite do capitalismo, cujo único objetivo é obter lucro.

Seja ele em forma de arte. Seja ele em forma de necessidade barata.

 
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Publicado por em 17/10/2011 em Filmes

 

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