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Eu e meus velhos Compact Discs

24 mar

Uma pequena parte do todo.

Podem me chamar de velho, sem problemas, mas eu adoro CD.

Estava eu fazendo uma daquelas coletâneas que tanto gosto, jogando arquivo .mp3 pra lá e pra cá (sim, vc pode ser um colecionador de CD e usar arquivo MP3, porque para montar coletâneas extensas você pode converter sem problemas pra caber mais no próprio CD editável. Somos saudosos, não ogros) e fiquei pensando em como essa coisa do arquivo digital ajudou a deixar tudo mais rápido e ágil, mas está acabando com a graça real de se pegar um CD na mão, que é o encarte.

Pô, era sensacional pegar o encarte do CD cheirando a novinho depois de rasgar o maldito plástico com um clip ou algo pontiagudo, o que geralmente fazia você riscar a caixinha de acrílico, e retirar o encarte com todo cuidado no manuseio. As letras, o projeto gráfico, tudo era motivo de crítica ou admiração. Meu primeiro Afrociberdelia veio com um estojo laranja, que conservo até hoje. Titanomaquia veio num mini saco de lixo. O encarte de Melon Colie and the Infinite Sadness tem um dos projetos gráficos mais lindos que já vi. E haviam os CDs duplos, como o The Wall, que provavelmente iria chegar com a parte do encaixe já quebrada. Normal, a gente ficava puto na hora, mas passava por cima em questão de minutos por um encarte decente. E quando o encarte era ruim, havia a decepção inicial, mas nada que uma boa produção musical da banda não fizesse com que tudo isso fosse esquecido rapidamente. Foram muitos Mudhoneys neste esquema pra começar a filtrar melhor…

E mesmo ainda colecionando CDs originais, eu fico meio receoso com essa nova tecnologia, por mais prática que seja. Agora, depois da manipulação do MP3, eu ainda tenho a oportunidade de jogar uns 4 Giga de música num pendrive que fica pendurado na parte frontal do rádio. Fica feio, sem graça, completamente fora da estrutura, mas pra um fã da boa musicalidade, acabou imprescindível no dia a dia, principalmente no trânsito caótico de São Paulo. Pego meu porta-CDs e penso que todos os 20 discos que ali estão ocupariam uns 20% de um pendrive. Dá desânimo, mas não consigo ainda viver só do digital. Pelo menos enquanto bandas como Pearl Jam tomarem o devido cuidado com a produção visual do CD, meu dinheiro eles sempre vão levar, ainda mais porque vejo o download de discos mais como uma degustação, na verdade. Não se engane: devo ter mais de Terabyte de músicas, muitas delas já convertidas em compra de CDs originais pois valem a pena. Também já deixei de comprar muita coisa que, em outras épocas, compraria sem medo por causa do MP3, que me salvou principalmente do último disco solo do Chris Cornell. E eu nem comecei a falar ainda da falta que sinto de encontrar CD nas lojas. Garimpar é legal, mas viver de bacião da Americanas e busca errada no Submarino é um parto.

E pra você que está lendo e pensando “cara, que papo chato. Baixa tudo e pronto” eu só te digo uma coisa: você nunca deve ter sentido como é legal ter tido um álbum de figurinhas.

 

Sobre Sandro Cavallote

Publicitário, profissional de criação e autor do livro “365 – Um guia prático para futuros profissionais de Comunicação”, tem mais de 15 anos de experiência na área. Aficcionado em cultura pop, desenvolve projetos de criação e design personalizados e exclusivos.
10 Comments

Publicado por em 24/03/2011 em Música, Textos

 

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10 respostas para Eu e meus velhos Compact Discs

  1. Cris Morgato

    24/03/2011 at 17:22

    Adorei, Sandro! Embora faça tempo que não compro um CD, tem algumas bandas que eu faço questão de ter todos, bonitinhos, com seus devidos encartes (no caso são Bon Jovi e Jota Quest, hehe). Acho meio “chato” só ter MP3, o encarte faz toda a diferença! Bjs!

     
    • Sandro Cavallote

      28/03/2011 at 7:48

      É, Cris, tenho algumas bandas de coração que compro original nem que seja pra manter a coleção intacta, tipo Pearl Jam e Live.

      Agora, tem um erro ai no que vc escreveu, hein? Jota Quest não é banda… :)

       
  2. Alessandro

    25/03/2011 at 14:38

    E o pulse com luzinha piscando. E o orgulho de mostrar aquele cd que ninguem tinha , aquela versão japonesa.
    Tb vejo mp3 como degustação mas é dificil resistir qdo não se encontra determinados cds.Hoje todos os meus cds tão dentro de um guarda roupa, meio q esquecidos mesmo.

    Abraços
    Alessandro

     
    • Sandro Cavallote

      28/03/2011 at 7:47

      O Pulse, man! Como eu pude esquecer disso???? Maior tristeza qdo a bateria acabou…

      Agora, deixar CD dentro de guarda-roupa é sacanagem, hein? E vai embolorar! :)

       
  3. doggma

    30/03/2011 at 21:14

    CDs… ainda tenho uma coleçãozinha (que já foi uma coleçãozona). Nunca tive muito respeito por eles, apesar do inegável apuro sonoro. Sou da primeira geração. Ouvia o “Dark Side of the Moon” e o “Physical Graffiti” em LP, viajando nas capas quilométricas abertas no chão do quarto… tirar o vinil com as falanges, ajustar na pick-up, posicionar a agulha, abrir o encarte… era todo um processo ritualístico ali…

    Os CDs mataram isso na época. Por isso encaro com absoluta naturalidade essa derrocada diante do mp3. Acho que nunca os perdoei, rs.

     
    • Sandro Cavallote

      01/04/2011 at 7:48

      O vinil eu gostava, mas sempre achei ele meio gigante demais, claro que os encartes e a produção das capas eram únicos. Lembro a primeira vez que botei as mãos em um The Wall importado que abria em 3 partes. Coisa de louco…

      Agora, eu sei da sua fome por musicalidade, portanto teria que ser o novo Bill Gates pra manter a discoteca original mas, pô, perdoa o CD, meu, ele não tem culpa não… :)

       
  4. Ricardo

    01/04/2011 at 10:27

    Ahááá!!!! Sandro, acabei de achar meu cd do REM que eu tinha perdido!
    É o 13° da esquerda pra direita na pilha de baixo!
    E você disse que não estava com você né!!!
    kkkkkkkkkkkkk
    Brincadeira!
    Mas é fogo também essa história de emprestar aquele super cd e nunca mais ver de novo… Eu mesmo tenho um do Eric, do Pearl Jam, veio com umas Polaroids… Muito Louco! rs

     
  5. QUEIROZ

    03/04/2011 at 22:12

    Eu na minha estante aqui do computador tenho em cd:

    Highway 61 revisited Bob Dylan
    Let it be Beatles
    Led Zeppelin 1,2,3,4 e Houses of holy
    London Calling The Clash
    Elvis Presley com a capa que inspirou a do London Calling
    Rarities Rolling Stones
    Wish you were here Pink floyd
    The Piper at the Gates of Dawn Pink Floyd
    Is there anybody out there Pink Floyd
    Meddle Pink Floyd
    Greatest Hits Ramones
    BAD Michael Jackson

    Além de uma porrada de cds aqui na minha estantes de livros ao lado e outros cds nas gavetas.

    E quando se extinguirem os cd players, o que faremos??

    TUM!!

    Valeu Sandro

     
    • Sandro Cavallote

      04/04/2011 at 16:06

      Cara, tudo bem que a tecnologia um dia chega e extingue tudo mesmo, mas ainda acho que vai demorar, assim como sou um velho cético que acredita que o BluRay não é a evolução do DVD… tem que vir algo mais interessante pra acabar com esse tipo de mídia, algo revolucionário mesmo, não só do montante imagem+som.

      E bela lista, hein? Dá pra ficar doido só de ouvir… :)

       

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