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Barril de Pólvora

11 jun

O décimo episódio da terceira temporada de Breaking Bad, Fly, é uma das situações mais instrínsecas que já vi em um seriado para televisão. Em quase 45 minutos, o roteiro espreme cada um dos protagonistas ao extremo. Uma simples mosca no laboratório de “Heisenberg” transforma-se num diálogo visceral sobre para onde a série está indo: um barril de pólvora emocional em que TODOS os protagonistas estão a ponto de explodir. Uma simples baforada mal direcionada desencadeará o descontrole  total das situações. Aliás, se há um mérito maior em Breaking Bad é o de transformar seus protagonistas em antagonistas, inserindo-os no contexto de forma que eles não podem dizer não. São 3 temporadas de perfeita construção de personagens. Todos ali tem suas motivações, medos, razões. E a fúria de levar às últimas consequências.

White e Pinkman debatem como pai e filho. Aliás, a situação em que o Sr. White está agora me lembra muito Darth Vader. Ele está num ponto obscuro entre ir para a luz ou se entregar para a escuridão total. Porém, diferente do pai de Luke, “Heisenberg” conhece as realidades, nada está escondido, tudo está entregue ali, na bandeja de prata da realidade. E ele não tem controle nenhum, pois qualquer um ali pode acender o pavio. Um olhar mal interpretado, caliente, e tudo vai pelos ares. E dá pra sentir na respiração dele que ele está cansado de tentar controlar e que talvez liberar o caos seja a única maneira de trazer paz.

Caos para transformar? Química pura, bitch.

[UPDATED] Meu broda Luwig mandou um post ótimo sobre a série. E valeu pela lembrança!

 

Sobre Sandro Cavallote

Comunicólogo, profissional de criação e escritor.
2 Comments

Publicado por em 11/06/2010 em Séries, Uncategorized

 

2 respostas para Barril de Pólvora

  1. Luwig

    13/06/2010 at 19:09

    Sandro, “run”!

    Se não entendeu ainda, vai entender.

    Rapaz, acho que o Walt já havia abraçado de vez o “lado sombrio” desde aquele clímax insano de ‘Over’ (S02E10), quando saiu da loja de suprimentos e mandou na maior moral aquela duplinha vazar de “seu território”.

    Simplesmente a melhor série de todos os tempos da última semana. Será a injustiça cênica do ano se o Bryan Cranston não abocanhar tanto o Emmy como o Globo de Ouro em 2010. Um só não vale, tem que ser os dois!

     
  2. Sandro Cavallote

    14/06/2010 at 8:44

    Luwig, eu vi no final de semana. E até levantei do sofá.

    O foda é que eles estão armando uma cama de gato fudida ali. Se tiverem coragem de seguir com o esquema que estão construído a quarta temporada vai ser um absurdo realista e fatídico. Um “rising up” do White sem precedentes. Só estou evitando um pouco o aumento na expectativa por conta da decepção, mas boto fé no que estão fazendo com a série. Acho que por não ser parte do mainstream de seriados, a possibilidade de darem uma bicuda em tudo o que já foi feito na televisão até hoje é enorme…

    Enfim, nem dá vontade de ver outra série.

     

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