
O décimo episódio da terceira temporada de Breaking Bad, Fly, é uma das situações mais instrínsecas que já vi em um seriado para televisão. Em quase 45 minutos, o roteiro espreme cada um dos protagonistas ao extremo. Uma simples mosca no laboratório de “Heisenberg” transforma-se num diálogo visceral sobre para onde a série está indo: um barril de pólvora emocional em que TODOS os protagonistas estão a ponto de explodir. Uma simples baforada mal direcionada desencadeará o descontrole total das situações. Aliás, se há um mérito maior em Breaking Bad é o de transformar seus protagonistas em antagonistas, inserindo-os no contexto de forma que eles não podem dizer não. São 3 temporadas de perfeita construção de personagens. Todos ali tem suas motivações, medos, razões. E a fúria de levar às últimas consequências.
White e Pinkman debatem como pai e filho. Aliás, a situação em que o Sr. White está agora me lembra muito Darth Vader. Ele está num ponto obscuro entre ir para a luz ou se entregar para a escuridão total. Porém, diferente do pai de Luke, “Heisenberg” conhece as realidades, nada está escondido, tudo está entregue ali, na bandeja de prata da realidade. E ele não tem controle nenhum, pois qualquer um ali pode acender o pavio. Um olhar mal interpretado, caliente, e tudo vai pelos ares. E dá pra sentir na respiração dele que ele está cansado de tentar controlar e que talvez liberar o caos seja a única maneira de trazer paz.
Caos para transformar? Química pura, bitch.

[UPDATED] Meu broda Luwig mandou um post ótimo sobre a série. E valeu pela lembrança!