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The Last Airbender / teaser 2

05/02/2010

Shyamalan, que bom ter você de volta, cara!

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That little Bondi Blue

02/02/2010

A Apple anunciou seu novo produto revolucionário na semana passada, o iPad. Passado o primeiro impacto (nunca veja as apresentações de Steve Jobs com um cartão de crédito nas mãos…), as primeiras inconsistências surgem e, principalmente, as reais necessidades de cada um, exibindo um mapa individual de possíveis falhas, o que não desmerece o produto, mas desestimula a compra inicial para “aguardar as melhorias”. Foi assim com as linhas de iMacs e com os iPods. Na minha concepção, a primeira linha de um determinado produto lançado por Jobs é exatamente o que ele acha correto, independente de qualquer necessidade terciária, olhando realmente para o futuro. Ele faz o produto pra ele. Mas uma empresa sobrevive de vendas, e certamente as novas gerações de iPads padecerão da necessidade popular, deixando um pouco de lado o que Steve sabe que é melhor para que nós usemos o gadget dentro de nossa realidade. Enfim, no final das contas, até Steve tem que baixar a guarda (e o orgulho) pra vender mais.

E, sim, acho que o iPad abre um futuro excepcional para mídias, publicidade e, principalmente, compra on-line. Mas quem sou, além de um consumidor?

Olhando para aquela interface fabulosa do produto, me lembrei da revolução do iMaczinho, aquele arredondado e colorido, hoje mais utilizado como receptáculo de peixes. Tenho um aqui em casa e não sei o que fazer com ele. E, ao mesmo tempo, não consigo me desfazer do pobre coitado, porque lembro da luta que foi comprá-lo e como ele me introduziu na Applelândia de um jeito gracioso e bem humorado. Hoje, sucata. Uma linda e reluzente sucata. Simplesmente não sei como me desfazer dele. Minha filha, há uns dois anos, ficou com ele e aprendeu muita coisa sobre funcionalidades, mas reclamou que “não dá pra instalar jogos e não tem as coisas que o computador da minha prima tem” e o pequeno Bondi Blue virou o que a maioria deles se transformou nos últimos anos: uma pequena Jukebox. É só deixar o iTunes sozinho por lá e, pronto, as caixas de som pequenas dão conta do recado, principalmente para uma criança de 9 anos. E esses foram os últimos anos do Maczinho que sofri para comprar: tocar música, servir de laboratório para minha filha, com adesivos da Pucca em todo seu teclado. Triste, mas real. Hoje preciso me livrar dele porque não há espaço em casa e não tenho a menor ideia do que fazer. São lembranças demais dentro da caixa azul Bondi.

Relendo o que acabei de escrever, sinto que comecei o ano realmente ligado no meu passado, talvez tentando retomá-lo em pequenas coisas. Não de maneira integral (algo que seria exponencialmente estúpido…) mas nas coisas boas e divertidas. Somente as boas lembranças. 2009 foi um ano de muito trabalho e pouca diversão, e quero que 2010 seja um pouco diferente, pelo menos rever uns amigos mais antigos. Já comecei essa mudança, respondendo mais rapidamente os e-mails deles e tentando uma reaproximação com outros, o que sempre faz bem. Orkut ajuda muito nisso. É uma das vantagens de se ter um sobrenome mais complicado: sempre há poucas opções de contato nas buscas e, geralmente, são pessoas da família. O que instituí para mim em 2010 é o termo desaceleração. A vida já passa rápido, e se realmente ficarmos acelerando tudo, ela simplesmente vai. Estou desacelerando tudo o que posso: a paranóia com o trânsito, a cobrança pessoal na entrega dos jobs, as mudanças necessárias no cotidiano, as dívidas, a alimentação, tudo. E estou me sentindo bem melhor. Tenho mais paciência, mas ânimo para trabalhar e mais tempo para o trinômio filha/cachorro/esposa. O próximo passo é a família/amigos. Mas tem que ir com calma, porque desacelerar é uma arte. É pensar um pouco em si próprio e nos interesses inerentes e pessoais. Trocando em miúdos: é lembrar que vc existe, nem que seja um pouquinho no dia. Pois a rotina, o trânsito, as dívidas e a não-remuneração pessoal nos esgotam diariamente.

Na linha do “ouvir mais do que ver” também desacelerei. Estou me importanto menos com os filmes (aliás, o ano de 2009 foi um ano que me empurrou para isso, pois assisti filmes demais com conteúdo de menos) e dando uma atenção mais especial a coisas que eu realmente queira fazer. O resultado disso são: filmes com mais qualidade, releitura de músicas atrasadas – coisa de séculos mesmo – e mais leituras diferenciadas. Cansei do “ler por necessidade”. Ainda mantenho minha linha de revistas mensal, como Vida Simples e Superinteressante, mas estou tentando separar o máximo que posso os posts de blogs buzzificados, ainda mais agora, com o Twitter tornando-se um ponto de referência de informação e, também, de besteraiada pura. Meu pensamento sobre o Twitter é que todo mundo pode gerar conteúdo relevante e interessante e, os que não o fazem, simplesmente não merecem ser seguidos. É fácil ver isso, é só acompanhar quem vc segue. Se as frases forem vazias e sem sentido, Unfollow them e é isso. E, como eu disse no próprio microblog, Twitter não é MSN.

O ruim de ficar tanto tempo sem escrever é que as coisas se acumulam. Preciso me organizar para postar pelo menos uma vez por semana. Agora, pensando nas coisas que aconteceram nestas semanas, percebi que fiz coisas até demais e que nem comentei sobre outras como Avatar (que é um filme excepcionalmente legal em todos os aspectos, não apenas técnicos), Sherlock Holmes (um filme insanamente divertido, com Guy Ritchie acertando em todos os aspectos. Certamente, um dos melhores do ano.) e Invictus (um filme menor do Clintão), fora que pensar que não vou a um show há certa de uns 8 anos me deprime um pouco, mesmo que amigos tentem me ajudar nesse quesito, me oferecendo, aos 45 do segundo tempo, a oportunidade de ver o Cranberries ao vivo. Fiquei devendo, mas o coração agradece a lembrança, Jr.

Estou na metade de Noturno, do Guillermo DelToro e do outro cara que escreveu o livro junto com ele (deve ser um saco ser o “outro cara que escreveu com o DelToro”) e, sinceramente, não vi novidade nenhuma no que ele andou falando por aí. É um livro essencialmente DelToro: detalhista ao extremo, o que pode ser visto por alguns como uma falha, pois a impressão que passa é que o livro só começa a decolar lá pela página 120, o que nem sempre é bom, principalmente para o público geral e ansioso. Eu, particualrmente, gosto da minuciosidade dos detalhes, aliás nem me incomodam. Acho que ele está montando todo um contexto teórico para os próximos livros da série. Pelo menos espero. Mas vale o investimento? Tá valendo, sem a menor sombra de dúvida. Semana que vem comento mais sobre ele, pois provavelmente já o terei terminado.

Não arrumei meu iPod ainda, mas estou usando o celular como mp3 e, apesar de ser mp3 em celulares serem meio disléxicos, até que me adaptei bem. Viciei numa coisa chamada Them Crooked Vultures, e aguardo ansiosamente o lançamento do disco no Brasil. Triste saber que gravadoras percam o hype inicial e não se importem em lançar as coisas quando os investidores estão marketeando o produto ao máximo. Chega até a ser discrepante: deixar todo o investimento em marketing terceirizado e usado no Exterior, algo teoricamente gratuito. O buzz gerado pelos portais e blogs hoje é automático e os lançamentos devem ser feitos quase que simultaneamente, mas parece que a indústria de música não vai (ou não quer) se adaptar de jeito nenhum. Talvez não entenda a internet. Enfim, discaço que vale cada centavo investido. E dentro da minha busca pelo tempo musical perdido, voltei a me envolver com Frank Zappa e seus amigos Mothers of Invention e, apesar de ser uma banda para ouvidos mais ecléticos, me impressiono em como eles fizeram toda aquela sonoridade sem computadores nem eletrônicos, só em um estúdio com mixagem. Chega a ser grandiosa a cabeça de uma banda que, com suas letras lisérgicas e, de certa forma, políticas, traz à música uma criatividade única, nonsense e sem vínculos. Para poucos? Sim, mas eu daria uma chance a eles se fosse você, nem que seja pra falar mal. E, ainda dentro do meu saudosismo, estou ouvindo todos os discos do Devo na ordem cronológica e, posso afirmar sem o menor medo: é realmente uma das bandas mais influentes e geniais já montadas. Mas esse é assunto para outro post, um que dê ao Devo o espaço que realmente merece.

Ganhei de amigo secreto da @juliananeris o maravilhoso DVD de Persépolis, uma das melhores animações já feitas. Não li o livro, portanto não cabe aqui uma comparação, mas o filme é simplesmente obrigatório para qualquer um que goste um pouco de história e queira entender um pouco mais do conflito eterno ali, pertinho da Terra do Nazareno. E o DVD em si é sensacional. A Europa Filmes realmente realizou um trabalho muito profissional ao fazer um estojo customizado e um disco de Extras bem recheado. E o preço é extremamente convidativo. Obrigatório. E adquiri um filme do final dos anos 80 que esperava há muito tempo e nem sabia que havia sido lançado em DVD. O Escondido é daqueles filmes de ficção que marcam pela criatividade do roteiro e pela execução com poucos efeitos, mas eficazes. O diretor conseguiu montar um clima de perseguição tão bem estruturado que não fica devendo em nada a esses filmes feitos com zilhões de dólares. Um bom roteiro supera efeitos, certamente, o que me lembrou outro filme que não teve seu lançamento no Brasil, um filme argentino chamado The Sleep Dealer que esbanja criatividade em um roteiro realista e crítico. Uma pena. Os próximos da lista de compra devem ser Sobre Meninos e Lobos (um filme emblemático e perfeito), Steamboy (preciso comprar antes que suma e não se encontre em lugar nenhum, assim como o maravilhoso Réquiem para um Sonho) e Ghost in The Shell.

Enfim, tanta coisa pra se falar e tão pouco espaço. Acho que esse post soou moroso e cheio demais, mas tentarei fazer algo mais rápido da próxima vez. Nem deu tempo de comentar que assisti a primeira (e perfeita) temporada de Dexter, que estou na metade da última de Battlestar Galactica (tá começando a esquentar, mas estou achando meio previsível…) e que um seriado que, entre tudo o que tenho visto ultimamente, destoa como sendo uma das melhores coisas que já vi. E é uma animação teoricamente infantil, hein! Shyamalan tem a reconciliação com o público nas mãos. A pergunta é: em tempo de James Cameron, há espaço para outro Avatar?

Espaço. E você little Bondi Blue? O que fazer com você?

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Top Ten 2009

19/01/2010

Todo ano eu monto um top ten de filmes e posto em dezembro. Por conta dos trabalhos e da correria, esse ano foi diferente e atrasado. Mas taí, a quem interessar possa.

Foi um ano fraquíssimo para blockbusters, com o Cameron salvando tudo aos 45 do segundo tempo. Mas espero que 2010 a qualidade dos filmes seja um pouco  melhor. Apesar de, como eu prometi, vou utilizar mais os ouvidos do que os olhos neste ano.

2007, 2008 e, enfim, 2009.

Decepção do ano

Caramba, como eu disse, foi um ano fraco para blockbusters. Wolverine foi mais ou menos, GI Joe foi passável (dentro das características propostas) e, apesar de eu ter odiado Astro Boy com todas as minhas forças, o pior mesmo foi:

Transformers – A Vingança dos Derrotados.


Nem sei o que dizer desse filme. Na verdade, nem gosto de lembrar dele. O primeiro foi algo diferente e divertido que, sei lá, esperava algo pelo menos no mesmo nível. Não aconteceu. Michael Bay teve um surto de hiperatividade e usou todo o dinheiro para contar nada, aliás, usou o dinheiro para mostrar as bolas de um robô… avemaria.. me deu vergonha alheia…

Surpresa do Ano

Martyrs


Apesar de ter me surpreendido pra caramba com O Visitante (a atuação de Richard Jenkins é fenomenal) e Busca Implacável (sério, achei o policial com o Liam Neeson algo tão bem feito quanto os filmes da série Bourne), filmes que eu não esperava fossem tornar-se videoteca básica na minha vida,  minha maior surpresa foi um filme indicado pelo Doggma, do BZ. Martyrs nem foi lançado aqui no Brasil e provavelmente nem será.

E a contagem começa…

10) Sete Vidas

Tá, eu já sei que você não gostou, mas achei um filme incrivelmente bem feito, com uma atuação ótima do Will Smith e um roteiro muito legal, emocionante e triste. Independente das críticas, acho que, para algumas pessoas, é um filme que leva pelo menos à reflexão sobre como se portar em relação a doação de órgãos, que ainda é um grande tabu.

09) Star Trek

JJ Abrahms certamente vai nos frustar pra caramba com o final de Lost, mas que ele consegue pegar os projetos pessoais com vontade e gosto ele consegue, pelo menos os que leva até o fim. Deu uma roupagem nova pra um seriado antigo sem perder o charme e o conteúdo. O cara merece aplausos por ter agradado a horda de fanboys mais chata do planeta.

08) Avatar

Cameron conseguiu novamente. Sem que ninguém esperasse ele fez um filme tecnologicamente impecável e com uma história excelente e, como eu disse anteriormente, salvou o ano de 2009 do marasmo dos big budgets com ação, humor, emoção e muitos efeitos visuais.

07) Watchmen

Sei que muita gente acha que a versão de Zack Snyder para uma das maiores HQs da história é um blockbuster. Não acho. Apesar do orçamento astronômico, Watchmen nunca foi para o grande público. Isso não faz dele um filme menos corajoso e pensado quadro a quadro, com um puta respeito pelo diretor. O filme não foi sucesso de bilheteria e fico feliz com isso, afinal não vamos precisar ver continuações desnecessárias e sem sentido só pra ganhar dinheiro. Eu acho que Snyder fez o que qualquer diretor tem que fazer: acreditar no sonho e concretizar da melhor forma possível. E o que ele fez foi algo surpreendente e respeitável.

06) Quem Quer ser um Milionário?

Fernando Meirelles foi lá e mostrou como se fazia. Danny Boyle gostou do que viu e aplicou tudo o que pode aprender com Cidade de Deus num filme maravilhoso e perfeito do início ao fim. E o mundo se rendeu e aplaudiu de pé.

05) (500) dias com ela

Desde Alta Fidelidade eu não me identificava tanto com um romance. E (500) dias com ela fez comigo uma coisa que poucos filmes fizeram: me relembrou a adolescência como um grande amigo dividindo uma cerveja de fim de tarde e conversando sobre as coisas boas e ruins do ato de apaixonar-se. E a sensação foi mais do que ótima.

04) UP – Altas Aventuras


Será que algum ano um Top Ten meu existirá sem um filme da Pixar? Acho pouco provável, principalmente quando eles inventam de contar histórias únicas e nunca antes imaginadas. Como eles conseguem inserir tanta emoção numa animação voltada, teoricamente, para crianças?

03) O Lutador

A rendenção de Mickey Rourke veio na forma de um lutador de wrestling com a vida esmagada em pedaços, com uma colagem sensacional do diretor do maravilho Réquiem por um Sonho. Um dos grandes filmes deste século, sem a menor sombra de dúvidas.


02) Control

Não conheço muito a história do Joy Division e sei que muita gente torceu o nariz para esse filme, entretanto contar a vida de Ian Curtis não deve ser uma coisa muito simples. O que vi na tela foi um retrato cru e realista de um dos maiores ícones do rock´n roll dos últimos tempos, o que já é suficiente para que o filme torne-se videoteca básica para qualquer um que tenha vivido a adolescência nos anos 80. Direção de arte primorosa, assim como a fotografia e atuações impecáveis.

01) Distrito 9

O filme chegou caladinho, com um trailer espetacular e deixou todo mundo curioso. Afinal, o que aquele grupo de alienígenas estava fazendo de passagem na Terra. O resultado disso é um dos filmes de ficção mais bem montados da história do cinema, com um roteiro forte e direcionado, feito com trocado se comparado a produções do gênero, prova viva de que existe gente antenada e cerebral em Hollywood.

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Ouvir mais do que ver

07/01/2010

Ah, o início de um novo ano. Deixar tudo o que se fez de errado para trás e recomeçar. O sentimento de reboot de atitudes, sentimentos e o cheiro de paz pairando no ar. Não sou muito fã das festas de final de ano, mas compartilho bastante da fé notória no novo que a data representa. Até há algum tempo eu fazia muito do que a cartilha do Ano Novo descreve: os 7 saltos nas ondas (ou seriam 9?), colocar os objetivos no papel, olhar com a perspectiva do hiper-otimismo sobre as pessoas e como elas se comportariam perante a possibilidade de tornarem-sem melhores, mas o que acabei percebendo é que esse sentimento dura pouco tempo, mais ou menos até o Carnaval, quando tudo recomeça realmente: o trabalho, a amargura do trânsito, a impaciência geral que causa ansiedade e que expõe a real face dos habitantes. E tudo acaba voltando ao seu normal, com a casualidade tornando-se causalidade.

Claro que tem gente que acaba aprendendo com os erros. Eu sou a prova viva disso. Mas hoje não me apego facilmente ao status quo do Papai Noel da Coca-Cola nem ao ritual de sujar a praia na virada do ano em troca de uma melhoria que só vem com a consciência de que o homem tem que fazer sua parte. Pode soar amargo e triste, mas é o que realmente penso, o que não me impede de curtir a família, amigos e as festas, a diferença é apenas no direcionamento que vejo de tudo isso. Cansei um pouco da hipocrisia, só isso, mas tenho consciência plena da minha participação ativa durante anos na perpetuação do ritual. Não dá para ser ausente, e nem quero. É só um olhar mais apurado nos últimos dias do ano, em que, para a maioria das pessoas, o Natal não representa o nascimento do ser humano mais especial que já andou por estas paragens, e o Ano Novo é uma festa de bebida, mentira e auto-indulgência. Sem ofensas, ok?

Para você ter uma ideia de como fico saudoso durante as festas de final de ano, é só dar uma olhada nos presentes que me dei: dois pocket books do Piratas do Tietê e duas camisetas de banda de 15 reais cada (Red Hot Chilli Peppers e Ramones). Tô precisando de um iPod novo mas, sei lá, não era o momento. Fico pensando nas coisas que gostava de fazer quando era menor e vejo o final do ano como uma maneira de, nem que seja um pouco, sempre fazer algo para relembrar as coisas que realmente gosto. O sentimento é ótimo e, de certa forma, o motor ronca de outro jeito, um pouco mais potente e feliz. Para mim, esse tipo de coisa deixa as dificuldades do ano que começa mais fáceis e plausíveis, dando um pouco mais de foco e simplicidade para não ficar olhando problema como bicho de sete cabeças. Minha lista interminável de livros também sofreria uma baixa, mas não consegui me decidir direito sobre o que comprar, portanto deixei pra lá já que não iria ler nada mesmo.

Falando em leitura, reli pela enésima vez O Homem no Teto, do magnífico Jules Feiffer. Um livro terno, emocionante e que sempre me deixa com um baita sorrisão no rosto durante praticamente toda sua leitura. Não sei como tão poucas pessoas conhecem essa obra e, se quiser ler algo que realmente te deixe pra cima, não deixe de fazer um esforço. Não é um livro difícil, contém algumas ilustrações bem legais e vale muito a pena. Ainda não me decidi sobre qual vai ser o primeiro livro do ano, mas provavelmente será Noturno, do Guillermo del Toro, apesar da vaia de vários amigos. Acho que DelToro fez uma coisa que nunca se deve fazer: deixar a expectativa do público muito, muito lá em cima. Chamaram até de burocrático um livro que, teoricamente, deveria reinventar o mito dos vampiros, tornando-os assustadores novamente. Enfim, provavelmente será esse. Também tenho alguns livros de comunicação em mente e preciso realinhar as prioridades. Há um mês mais ou menos também reli O Deus da Criação, de Adilson Xavier, que traça um interessante paralelo entre a religião e a comunicação, com momentos de (boa) ironia e que nos leva à reflexão sobre como estamos vendendo produtos e serviços, além de ser uma excelente referência sobre a utilização da criatividade sem processos absurdos e infindáveis.

Vi um filme muito bacana chamado Uma Noite de Amor e Música (cujo título em inglês é infinitamente superior: Nick and Nora’s Infinite Playlist e eu nem imaginava que fosse baseado em um livro) e, apesar do conteúdo bem adolescente, me levou de volta aos meus 20 anos, quando a vida parecia complicada mas era bem mais simples do que agora. É um romance com pitadas de musicalidade contemporânea e como a personalidade acaba sendo um decisor na hora de seguir caminhos. No elenco, Michael Cera fazendo o que sempre tem feito (será que ele vai conseguir sair do estereótipo? Bom ator ele é, mas e as oportunidades? Ouvi dizer que seu novo filme, Youth in Revolt é bem diferente e que a adaptação de Scott Pilgrim parece estar ficando ótima) e a garota de O Virgem de 40 anos, aqui tornando-se protagonista e praticamente perfeita para o papel. Ela é linda de um jeito comum, o que a deixa somente mais bonita ainda. Um bom filme, que me trouxe várias boas lembranças. E que me reativou um sentimento de que nestes últimos anos meio que deixei minha outra paixão, a música, de lado, seja ouvindo coisas novas, comprando CD’s antigos, indo a shows ou vendo DVD’s de bandas ao vivo. Anteontem mesmo tratei de começar a corrigir isso vendo um show do The Who em 1970 que estava passando no Multishow. Gosto da banda há décadas e me peguei triste por achar perceber que nunca havia visto um show da banda ao vivo. É uma coisa insana de boa. Não há em nenhuma esfera musical algo parecido com o The Who ao vivo. Parece que abriram a caixa de Pandora e a soltaram no meio do palco. Já conhecia as performances de Pete Towshend por relatos em entrevistas e matérias, mas palavras não conseguem descrever o que é aquela energia. E o baterista? Keith Moon? Só conhecia de nome e fiquei estarrecido com sua força e vitalidade à frente das baquetas.

Vendo o Who ao vivo entendi que quero esse ano muito mais musical do que visual, portanto vamos arrumar o iPod e ouvir muito mais do que ver. Em todos os aspectos.

Nota Mental: preparar o top ten de filmes de 2009…

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Dicas de filmes

22/12/2009

2012 / Nunca um filme do Emmerich ficou tão dividido. Muita gente falando mal e muita gente falando bem. Não sei muito bem o que as pessoas esperam quando vão ver um filme sobre o que pode acontecer com o mundo se houver a tal reconfiguração da estrutura terreste tão debatida na atualidade. Pô, querem informação? Corram pro Discovery Channel que este assunto é debatido faz tempo. Aliás, se querem realmente saber se algo pode acontecer com o planeta de uma maneira séria e informativa, não é no cinema que vocês vão encontrar, é nos livros, nos canais de documentários e nos blogs de teorias da conspiração. Se vai no cinema ver um filme do Emmerich espere ver portais dimensionais que mostram os egípcios como viajantes espaciais, alienígenas que usam Windows e destruição maciça do planeta com efeitos especiais sensacionais. É isso. 2012 é um filme visual que flerta com a seriedade sem perder em nenhum momento o efeito da diversão, objetivo final de sua produção. Plot raso e metafórico com atuações medianas de bons atores interpretando clichês. Mas com muitos, muitos efeitos especiais, aliás, insanamente bons. Filme pipoca dos melhores!

Vício Frenético / Lembro que quando vi o original, há muito tempo atrás, fiquei impressionadíssimo com a atuação do sensacional Harvey Keitel no papel do tenente viciado. Um filme que me deixou irriquieto por alguns dias por tratar de assuntos tão complexos quanto drogas na polícia, prostituição e fé. O problema é que isso era início dos anos 90 e hoje vemos tudo isso nos programas trash que vangloriam a destruição do próximo em pleno final de tarde. É o preço pela perda da inocência. Nicolas Cage acha que é ator suficiente pra fazer uma reinterpretação personagem de Keitel, mas não consegue nem chegar perto. Mas eu acho que eu me enchi do Nicolas Cage há tempos, pois não vejo nada bom dele desde Despedida em Las Vegas, então nem vou falar do cara. Apesar de ser um filme muito bem montado, muitos podem achá-lo arrastado em alguns momentos e a presença de Eva Mendes sempre ajuda a passar melhor o tempo. Mas não me impressionou tampouco cativou. Acho que tantos filmes já visitaram o tema que, atualmente, a história forte tornou-se mais do mesmo. Keitel é Keitel e pronto.

Deixe Ela Entrar / Em épocas de vampiros que brilham, assistir um filme criativo e curioso sobre vampiros é um deleite. Esse filme é do ano passado e muita gente já falou sobre ele, mas como a distribuidora decidiu lançá-lo no circuito comercial bem no final de semana de Lua Nova, acho que ele merece um pouco mais de atenção, pois acaba passando batido. Não é um filme de terror, o que acaba sendo um ponto positivo, pois dá pra se trabalhar mais as personalidades, o que o torna forte e melancólico, mas com momentos bem assustadores. Só a sequência final já vale o filme todo, uma aula de inventividade e como dá pra se impressionar uma platéia com poucos recursos e muita boa vontade. Apesar de amigos já estarem indicando há meses, ainda me surpreendi com o resultado. É arte, simplicidade e atmosfera, tudo isso com uma dose imensa de tristeza. Um dos melhores do ano, certamente.

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America, Fuck Yeah!

14/12/2009

Muitas vezes me perguntam o que levo em consideração para delinear se um filme valeu a pena ser assistido. Alguns usam pontuação, outros estrelas, outros simplificam a estrutura de construção do filme (roteiro / direção / atuação / fotografia / trilha sonora / etc) ou montam sistemas complexos de análises, até com porcentagens e gráficos via computador. É sério. Eu simplesmente vejo se me diverti ou não, coisa que me causa alguns constrangimentos às vezes, dependendo do humor e estado de espírito. Muitas vezes gosto de um filme por N motivos mas, quando o revejo, percebo uma série de defeitos e acabo por me arrepender de ter recomendado ou algo do gênero. Alguns eu simplesmente gosto, mesmo que a tal chamada crítica especializada tenha descido a lenha. Não sou crítico, só escrevo para um blog o que chamo simplesmente de resenha. Acho que fica mais prático pois, no fundo, o que vejo realmente é se me diverti durante a sessão, seja no cinema ou em casa. Basicamente pontos de acerto e erros dos envolvidos.

Eu não sei como, mas Astroboy foi um dos filmes com a maior quantidade de erros que já vi na vida. Não são erros bobos, são erros absurdos. O mínimo que se espera de uma adaptação (neste caso, de uma ocidentealização) é respeito pela obra original. Diferente da adaptação do anime de Akira Toriyama (que, em sua essência, é uma ficção fora do comum e que perde seu conteúdo a partir da humanização severa de seus personagens), Astroboy tem uma estória cinematográfica pronta, que só dependia de um bom roteirista e de um diretor que sabe o que faz. Sou fã do personagem há décadas e só o conheci por causa da cópia que fizeram chamada Jetter Mars (ou, no Brasil, via Record, Marte – O Menino Biônico), um de meus desenhos favoritos na infância. Anos depois fui descobrir que Osamu Tezuka havia criado o original e busquei tudo o que podia saber dele. Entendi sua importância como ícone para o mangá, como suas técnicas inovadoras revolucionaram os animes e como ele trabalhava com carinho seus personagens. Com tamanha devoção de seu criador fica difícil não enxergar a importância que Astroboy tem para a ficção científica de uma maneira geral. Sua história de vida envolve paternidade perdida, conflitos emocionais, descobrimento da humildade, respeito pelo próximo, a amizade como meio de vida e, principalmente, o perdão e o raciocínio sobre nosso papel isolado e em grupo, tudo isso com o embate tecnologia vs. humanidade como background pertinente e coeso. Muita gente bebeu da fonte “construção de personagem robótico que se torna humano”. Um Pinóquio ex-machina que cresce e se desenvolve, sem ter a muleta da mentira como estrutura narrativa. Enfim, dava pra se fazer um filme de origem tocante e humano, algo muito próximo do que foi feito em AI – Inteligência Artificial.

A utilização da animação 3D em voga em nossos tempos foi uma boa saída, exatamente porque os personagens de Tezuka já tem personalidade tridimensional. Ponto para os produtores. As imagens foram sendo divulgadas pouco a pouco, sempre animando e mostrando que a americanização poderia ser boa, talvez um otimismo gerado pela Pixar e seus memoráveis filmes ou por alguns bons exemplos de outros estúdios. Primeiro teaser e boom: Osamu Tezuka na cabeça! E os fãs que não estavam muito dispostos decidiram dar uma chance ao que parecia, no mínimo, uma grande homenagem.

Me sinto enganado. Sinto às vezes que faço parte de um grande plano hollywoodiano que gera filmes vergonhosos e nos tira 1h30 de nossas vidas já tão corridas. Eu nem sei o que dizer sobre Astroboy. Sei que terminei de ver e só pude pensar em “Fuck, Yeah!”, e queria que os personagens de Team America tivessem entrado de alguma maneira no final e trucidado todo mundo. A imbecilidade que fizeram com seu pai, o plot preguiçoso e os sidekicks saídos diretamente de uma triagem de Robôs, sem o menor timming para piadas. Utilizaram menos do que o superficial da matéria prima que Tezuka demorou décadas para construir. Parece que os produtores pegaram tudo o que autor fez e jogaram no lixo, não se importando em nenhum momento com o que foi construído nessas décadas, criado um elseworld onde o personagem não tem personalidade nenhuma e tudo o que foi mostrado sobre o conflito tecno-humano sugado ferozmente pelo ralo. Mas nada me impressionou mais do que uma gag final tosca utilizada e naufragando o universo do personagem numa americanização pastiche, indecorosa e desrespeitosa onde, em determinado momento, saem pistolas da bunda do personagem. Sério, nem Baddabay! conseguiria melhor, mesmo mostrando partes íntimas de robôs.

Enfim, não sou muito a favor de descer o sarrafo, mas quando uma produtora pega um personagem amado por tantos e imbeciliza o personagem só merece uma coisa: fracasso. O filme naufragou nos cinemas e os japoneses vão solenemente ignorar o filme. Até a versão nova feita para TV, que é ótima por sinal, merece mais atenção do que este filme. Quer uma dica? Quer realmente conhecer o personagem? Dê um jeito de assistir essa série mais atual que realmente vale a pena. Ali há Astroboy. A versão do cinema é uma carcaça podre e inútil feita por pessoas que acham que tem boas ideias, mas só reciclaram o que já é contado para nós do mesmo jeito há décadas.

Acho que só decidi escrever sobre isso quando li a notícia no MdM que o filme será distribuído pela Paris Filmes, que escalou Rodrigo Faro para dublar o personagem principal: um robô que, teoricamente, tem 13 anos de idade mas que, segundo o marketing fétido da empresa, deve ser dublado por um adulto de mais de 30 anos.

Pensando bem, para um filme tão ruim, esse é o tipo de tratamento. Uma empresa que dublou o último Asterix com o povo do Pânico e que acha certo usar de artimanhas mercadológicas momentâneas e descerebradas para tentar agregar mais alguns reais ao cofre. Asterix merecia melhor tratamento, certamente.

Mas Astroboy, não. Astroboy merece tudo o que uma Paris Filmes puder oferecer.

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Astroboy

(Astroboy / 2009)

Direção: David Bowers

Vozes de: Freeddie Highmore / Nicolas Cage / Charlize Theron

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Filmes que já deveriam estar entre nós

11/12/2009

Moon / Moon parece mais um conto de Isaac Asimov. É sobre como a tecnologia sempre acaba levando o ser humano ao seu limite, tanto física quanto emocionalmente, e como ele pode achar que as coisas estão em seu controle quando não estão. O plot simples e criativo (no futuro, a Lua se tornou algo realmente valioso e há extração de minérios para alimentar um energizador solar que, teoricamente, auxilia na manutenção da fome no mundo e toda a estação lunar é automatizada, com exceção de uma pessoa, que deve controlar tudo durante 3 anos) segura os 90 minutos sem problema algum através de uma atuação excelente de Sam Rockwell e da direção sólida e concisa. Mas não é um filme de ação, é um filme de introspecção. Saiba mais.
Para quem gostou de: Solaris, 2001, Contatos Imediatos do Terceiro Grau

Shrink / Kevin Spacey é há tempos um de meus atores favoritos. Comecei a prestar real atenção nele em Seven, fazendo um dos assassinos seriais mais complexos da história do cinema. Aqui o show é todo dele, atuando como um psiquiatra de celebridades com um livro nos mais vendidos há anos que trata sobre felicidade, mas uma tragédia familiar o faz contestar tudo o que acreditava, inclusive sua profissãol e a si próprio. As subtramas se entrelaçam no final, com um elenco afinado, novo e cheio de vontade. Um filme tocante, pesado e emocionante, em muito pela atuação impecável de Spacey. Saiba mais.

Para quem gostou de: Crash – No Limite, O Homem sem Face, Gênio Indomável

Is Anybody There? / Entendo porque algums distribuidoras ficam receosas em lançar certos filmes por aqui, afinal existem filmes indefinidos em termos de gênero que realmente confundem qual seja o público-alvo. Esse é um deles. A história é bastante interessante: família cuida de uma casa para idosos, que são levados por familiares ou pelo próprio governo. E tem que lidar com a morte praticamente todo dia. E como o filho de 11 anos da familia lida com o assunto? Buscando algo no pós-vida, buscando uma continuidade. E a chegada de um ex-ilusionista com um passado pesado e triste vai fazer com que essa busca seja mais pessoal. Apesar da presença de Michael Caine e do tema, faltou algo, um pouco mais de emoção e sentimento exatamente pelo plot lidar com a tênue linha entre vida e morte. Ou talvez seja eu que esperava um pouco mais por me interessar tanto pelo assunto. Mas longe de ser um filme ruim, é um belo trabalho de direção de de interpretação. Vale a pena. Saiba Mais.

Para quem gostou de: Amor Além da Vida, Lições Para Toda Vida, Conduzindo Miss Daisy

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Dicas de filmes

04/12/2009

Gamer / Acho que meu envolvimento profissional com o Google e suas ferramentas me deixou mais interessado em determinados temas, principalmente como as redes sociais vem evoluindo. Depois de Substitutos, que foi um filme desprezado por todo mundo mas que é muito interessante e bem conduzido, Gamer abala um pouco mais o conceito e deixa expostas várias críticas ao andamento relacionado ao contato virtual. Tá, tudo bem exagerado (inclusive a ação, que pode incomodar um pouco) mas nem por isso fora de contexto. O trailer vende apenas um filme de ação, mas dizer que ele é um filme apenas de porradaria é ser superficial em conceito, que de nada lembra filmes como Doom, baseado no jogo homônimo . O filme levanta debates interessantes com quem se interessa pelo assunto, fazendo com que os buracos no roteiro não estraguem o produto final. Ah, e o foi o povo que escreveu as maravilhosas aventuras de Chev Chelios que encorparam esse filme, portanto assista como se estivesse se divertindo num Playstation.

Para quem gostou de:  Adrenalina / Falcão Negro em Perigo / O Sobrevivente

Sangue Negro / Daniel Day Lewis é meu ator favorito da atualidade e, pra ser sincero, quanto penso num filme perfeito do início ao fim sempre me lembro desse. Revê-lo deixou tudo mais evidente e, realmente, a saga do petróleo contada pelos olhos de Paul Thomas Anderson é provavelmente o filme mais bem conduzido que já vi, desde sua estrutura técnica até a atuação insana do Day Lewis, que assusta sem necessariamente ser um vilão. O personagem é ameaçador de uma maneira real, fatídica, psicótica dentro de um contexto realista. Sei lá, se você não viu e gosta realmente de cinema, não sei o que está esperando. Compre aqui.

Para quem gostou de: O Poderoso Chefão / Um Estranho no Ninho / Gangues de Nova York

Nossa Vida Não Cabe Num Opala / O cinema nacional oscila demais. Entre boas sacadas, filmes sensacionais e filmes horríveis aparecem, de vez em quando, aqueles que não conseguem decolar, apesar da boa estrutura a que são acondicionados. O filme tem uma fotografia muito legal, bons atores (com uma atuação fabulosa de Milhem Cortaz) e uma história legal em princípio, mas depois desanda. Tinha tudo pra ser um filme muito bom mesmo, com uma pegada meio Snatch, mas tropeça em si mesmo com momentos que chegam a ser risíveis, tamanhas as besteiras feitas na montagem. Outro problema é a trilha sonora que, apesar de interessante por contar com bandas de rockn´roll desconhecidas mas boas, faz interferências em momentos inoportunos e sem sentido.

Para quem gostou de: Bicho de Sete Cabeças / Cidade de Deus / O Homem que Copiava

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Short Ones / Atividade Paranormal

30/11/2009

Nesses últimos anos, poucos filmes de suspense e terror me fizeram ficar prestando 100% de atenção. Atribuo a isso a falta de criatividade relacionada ao tema durante esta década e a utilização da máquina hollywoodiana em função dos remakes de filmes orientais, além de uma completa falta de inventividade por parte dos produtores em ousar mais na contratação de seus roteiros. Acredito piamente que existem roteiros e roteiristas muito legais esquecidos em qualquer canto escuro daquela cidade, esperando algum corajoso lhe dar uma oportunidade para mostrar que dá pra ser criativo sem a utilização de milhões, apenas com uma boa história.

Atividade Paranormal é um desses sortudos. O diretor/escritor Oren Peli rodou o filme com 15 mil dólares há dois anos atrás baseado em experiências próprias e o apresentou em festivais independentes, sempre coletando elogios. Com o apoio do boca-a-boca somado às redes sociais, conseguiu uma distribuição por um grande estúdio e se tornou a grande sensação das bilheterias desse ano, arrecadando até agora mais de 107 milhões de dólares. E sabe o que é melhor? O filme é ótimo porque consegue levar o espectador para um ambiente real, sem rodeios, e faz com que sua própria imaginação trabalhe em função do filme, afinal o que pode ser mais assustador do que ser inserido num contexto onde o que é mostrado ali pode acontecer com qualquer um de nós?

Diferente do que estão dizendo por aí, não o comparo ao outro sucesso A Bruxa de Blair. Atividade Paranormal está mais para um daqueles documentários do Discovery Channel, só que sem as câmeras trêmulas e as conjecturas. O clima presente durante as filmagens noturnas é tão tenso que até acabamos vendo o que não está lá, e, muitas vezes nada acontece, exatamente para mostrar que nossa mente nos prega peças e que o maior alimentador no contexto espiritual confrontado com o metafísico e o psicológico somos nós mesmos e nossos medos.

Enfim, um filme que merece todo sucesso que está tendo. E merece ser conferido de preferência com aquela sua namorada (o) que morre de medo de fantasmas.

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Paranormal Activity / 2007

Direção: Oren Peli

Elenco: Kate Featherston, Micah Sloat

 

 

 

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Conheça Nick Hornby

24/11/2009

Fui apresentado ao Nick Hornby de um jeito meio inusitado. Uma garota meio que me fez ler forçado seu primeiro e maior sucesso: Alta Fidelidade. Sobre brados de “é a sua cara”, “te vi ali, atrás daquele balcão de loja de discos” e”até seus amigos estranhos estão no livro” e, desde então, fico aguardando a cada vez que ele lança um livro. Não é uma leitura sofisticada, tampouco versada em contextos complexos e frases Academia Brasileira de Letras. Nick (estou com ele há mais de 15 anos, portanto acho que ganhei o direito de chamá-lo assim, ok?) escreve sobre o que gosta e, basicamente, escreve sobre comportamento, música e cultura pop. Independente de seu fanatismo pelo Arsenal (que já ganhou uma homenagem em forma de prosa, adaptada de um jeito bem porco pelos americanos), Nick é um cara da vida e do povo. Seus personagens são pessoas comuns em situações incomuns, mas não impossíveis. Seu texto é leve, orgânico e, muitas vezes, ácido. É uma excelente leitura para se colocar no lugar dos personagens e reavaliar sua vida, praticamente um roteiro de cinema pronto, tanto que 3 de suas obras já viraram filmes (duas excepcionais, outra vergonhosamente ruim) e outros 3 de seus livros já estão sendo roteirizados para a telona. Recomendo demais se você não conhece o autor, mas não ache que o conhece pelos excelentes filmes, e sim pelo conjunto da obra.

E fiquei feliz ao ver que o Submarino está com uma promoção de 3 livros fantásticos do cara por 10 dinheiros cada. Inclusive, Alta Fidelidade, um livro que tem um filme maravilhoso, e é o que desencadeou toda essa fama providencial ao Nick. O plot envolve relacionamento amoroso, cultura pop, música dos anos 80 e alguns dos mais sensacionais diálogos que você vai encontrar em literatura moderna. O engraçado é que Stephen Frears fez um filme do livro que não se parece com o livro, serve como um complemento, assim como o livro é o mesmo do filme. Sei lá, é a mesma história contada de maneiras diferentes, mas sem perderem as características um do outro. Um livro maravilhoso (leitura obrigatória pelo menos uma vez por ano) e um filme excelente (uma revisitada também uma vez por ano).

O segundo, Um Grande Garoto, também tem sua versão em filme, e ambos tem seus momentos de grandiosidade. É uma história leve que envolve um garoto filho de mãe solteira, um solteirão rico egocêntrico e irresponsável e como ambos irão interagir para dar continuidade a suas vidas. Mas, no meio de tudo isso, situações hilárias envolvendo ambos, muita auto-crítica e necessidades de mudanças. É um livro adulto, moderno e realista. Vale a pena.

E o terceiro é simplesmente incrível. Uma Longa Queda narra a história de 4 suicidas em potencial que se encontram no terraço de um prédio e que ficam encontrando maneiras e justificativas para seus atos, mas condenando uns aos outros até que eles decidem se unir por um determinado tempo para encontrar uma pessoa. A partir daí, suas vidas se entrelaçam e a ironia dos acontecimentos faz com que eles reavaliem suas tendências, necessidades e atitudes. Sensacional.

Enfim, para você conhecer melhor o Nick e entender o que ele tem a dizer já é o suficiente. Mas cada livro dele tem um gosto diferente, mas todos tem um elemento geral: a crítica ao comum e a necessidade constante de renovação.

Conheça Nick Horby. Você não vai se arrepender.